{"id":38710,"date":"2026-05-25T08:07:31","date_gmt":"2026-05-25T11:07:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ubajaranoticias.com.br\/index.php\/2026\/05\/25\/conheca-palavras-africanas-no-dia-a-dia-do-brasil\/"},"modified":"2026-05-25T08:07:31","modified_gmt":"2026-05-25T11:07:31","slug":"conheca-palavras-africanas-no-dia-a-dia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ubajaranoticias.com.br\/index.php\/2026\/05\/25\/conheca-palavras-africanas-no-dia-a-dia-do-brasil\/","title":{"rendered":"conhe\u00e7a palavras africanas no dia a dia do Brasil"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>O dia a dia dos brasileiros \u00e9 repleto de palavras derivadas de l\u00ednguas africanas, principalmente dos troncos lingu\u00edsticos banto e iorub\u00e1. Elas nomeiam comidas, sentimentos, partes do corpo e elementos culturais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O dia 25 de maio \u00e9 o Dia da \u00c1frica<\/strong>, institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em refer\u00eancia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o da Unidade Africana (OUA), em 1963.\u00a0<\/p>\n<p>O babala\u00f4 (sacerdote de candombl\u00e9) Ivanir dos Santos, pedagogo, pesquisador brasileiro, doutor em Hist\u00f3ria Comparada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca algumas dessas palavras e seus significados:<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/05\/25\/grazi-massafera-se-emociona-ao-revelar-detalhe-pouco-conhecido-sobre-a-filha-sofia\/\">Grazi Massafera se emociona ao revelar detalhe pouco conhecido sobre a filha Sofia<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/05\/25\/dia-da-africa-continente-aproveita-ascensao-da-china-e-mira-progresso\/\">Dia da \u00c1frica: continente aproveita ascens\u00e3o da China e mira progresso<\/a><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Alu\u00e1: Bebida fermentada<\/li>\n<li>Ax\u00e9: Energia, for\u00e7a vital ou sauda\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Bagun\u00e7a: Desordem, confus\u00e3o<\/li>\n<li>Berimbau: Instrumento musical de corda<\/li>\n<li>Bunda: N\u00e1degas<\/li>\n<li>Ca\u00e7ula: Filho mais novo<\/li>\n<li>Cafun\u00e9: Carinho na cabe\u00e7a, acariciar<\/li>\n<li>Dengo: Manha, car\u00eancia<\/li>\n<li>Fub\u00e1: Farinha de milho<\/li>\n<li>Moleque: Menino<\/li>\n<li>Quitanda: Pequeno com\u00e9rcio de hortali\u00e7as ou mercado<\/li>\n<li>Samba: G\u00eanero musical e dan\u00e7a<\/li>\n<li>Xod\u00f3: Pessoa muito querida, apego<\/li>\n<\/ul>\n<p>O trabalho de Ivanir dos Santos \u00e9 reconhecido pela defesa dos direitos humanos, pelo combate ao racismo e \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa.<\/p>\n<h2>Ajuste fon\u00e9tico<\/h2>\n<p>O fil\u00f3logo e linguista brasileiro Ricardo Stavola Cavaliere, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), disse \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil <\/strong>que o portugu\u00eas do Brasil tem um vasto vocabul\u00e1rio de origem africana que cobre v\u00e1rias \u00e1reas da atividade social. Entre elas, citou \u201cvatap\u00e1\u201d, \u201cdend\u00ea\u201d, \u201cmoqueca\u201d e \u201cfarofa\u201d na culin\u00e1ria; \u201cberimbau\u201d e \u201ccu\u00edca\u201d na m\u00fasica; \u201cchimpanz\u00e9\u201d e \u201ccamundongo\u201d na fauna.\u00a0<\/p>\n<p>Cavaliere ocupa a cadeira n\u00famero 8 na ABL, para a qual foi eleito em abril de 2023.<\/p>\n<p>Segundo ele, normalmente essas palavras mant\u00eam no portugu\u00eas o significado da l\u00edngua de origem, mas h\u00e1 casos como \u201csamba\u201d, que sofreu altera\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica em portugu\u00eas: de um tipo de dan\u00e7a passou a designar um g\u00eanero musical.\u00a0<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/05\/24\/paises-discutem-solucao-para-combustivel-fossil-e-desmatamento-ilegal\/\">Pa\u00edses discutem solu\u00e7\u00e3o para combust\u00edvel f\u00f3ssil e desmatamento ilegal<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/05\/24\/chega-ao-fim-a-luta-de-joel-datena\/\">Chega ao fim a luta de Joel Datena<\/a><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEvidentemente, as palavras de origem africana sofreram ajuste fon\u00e9tico ao ingressar no l\u00e9xico do portugu\u00eas\u201d, comentou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>No trato familiar, o professor Cavaliere citou a palavra \u201cdengo\u201d para designar a no\u00e7\u00e3o de carinho e afeto, al\u00e9m de \u201cca\u00e7ula\u201d, que se refere ao filho mais novo. <strong>Segundo ele, a inclus\u00e3o de palavras africanas no \u00e2mbito da fam\u00edlia decorre da intensa presen\u00e7a de mulheres escravizadas nas atividades dom\u00e9sticas a partir do Primeiro Imp\u00e9rio.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA palavra cafun\u00e9, por exemplo, vinda do quimbundo e que designa o ato de co\u00e7ar ou acariciar a cabe\u00e7a, \u00e9 t\u00edpica dessa rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de mulheres africanas no ambiente das fam\u00edlias brasileiras no s\u00e9culo 19\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Origens<\/h2>\n<p><strong>De acordo com o fil\u00f3logo, inicialmente, as l\u00ednguas que mais forneceram palavras foram o quimbundo, o umbundo e, em menor medida, o quicongo. S\u00e3o as l\u00ednguas que chegaram com o largo fluxo do tr\u00e1fico escravagista a partir da segunda metade do s\u00e9culo 16.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A presen\u00e7a do quimbundo era t\u00e3o expressiva que motivou o padre jesu\u00edta Pedro Dias a escrever uma gram\u00e1tica dessa l\u00edngua, publicada em 1697. A finalidade era facilitar seu aprendizado pelos padres que cumpriam miss\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>A partir do s\u00e9culo 18, intensificou-se o tr\u00e1fico de pessoas escravizadas de etnia iorub\u00e1 ou nag\u00f4, o que propiciou o aumento de palavras desse tronco lingu\u00edstico, destacou Cavaliere.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTais palavras s\u00e3o frequentes na denominada l\u00edngua de santo, presente nos cultos do candombl\u00e9, tais como orix\u00e1, babalorix\u00e1, Ogum etc.\u201d.<\/p>\n<h2>Angola<\/h2>\n<p>O pesquisador angolano Geovany Fernandes-Cattuco, ou simplesmente Gio Cattuco, como \u00e9 mais conhecido nas redes sociais, \u00e9 um criador de conte\u00fado digital que ganhou notoriedade por produzir conte\u00fados focados na expans\u00e3o, valoriza\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da cultura angolana e africana.<\/p>\n<p>Um de seus principais focos de trabalho diz respeito \u00e0 origem das palavras angolanas que acabaram sendo adotadas no vocabul\u00e1rio brasileiro. Alguns exemplos s\u00e3o as palavras \u201cdengo\u201d, que em portugu\u00eas\u00a0significa do\u00e7ura, carinho, aten\u00e7\u00e3o, origin\u00e1ria do termo n<em>dengu<\/em>, falado na l\u00edngua kikongo, ou quicongo.\u00a0<\/p>\n<p>Dessa mesma l\u00edngua vem a palavra \u201cmuvuca\u201d, derivada de m<em>vuca<\/em>, cujo significado \u00e9 aglomera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da l\u00edngua kimbundu, ou quimbundu, resultaram v\u00e1rias palavras inseridas no vocabul\u00e1rio brasileiro, entre elas \u201ccambada\u201d (do termo <em>dikamba<\/em>), cujo significado \u00e9 amigo ou companheiro; \u201ccapanga\u201d (<em>kubanga<\/em>), que significa lutar; \u201cbab\u00e1\u201d (do verbo <em>kubaba<\/em>), equivalente a acalentar ou embalar uma crian\u00e7a para adormecer; \u201cbelel\u00e9u\u201d (<em>mbalale<\/em>), sin\u00f4nimo de sepultura ou campa em que se enterram as pessoas mortas; e \u201cca\u00e7amba\u201d (<em>kisambu<\/em>), esp\u00e9cie de cesto grande.<br \/>\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C8IGfU3sWaA\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\" style=\" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);\"><\/blockquote>\n<h2>Heran\u00e7a di\u00e1ria<\/h2>\n<p><strong>O professor de ci\u00eancias humanas e mestre em ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o Augusto Ribeiro sustenta que a heran\u00e7a africana est\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 no vocabul\u00e1rio, mas na cultura brasileira e no jeito de falar do povo. <\/strong>Ele afirma que os brasileiros falam africano todos os dias e n\u00e3o percebem.\u00a0<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Ribeiro, \u201ccada palavra \u00e9 um pedacinho da hist\u00f3ria, uma resist\u00eancia que atravessou o tempo e ainda vive na nossa fala\u201d.<\/p>\n<p>A palavra \u201cbanguela\u201d, ou sem dente, da l\u00edngua kimbundu, \u00e9 um exemplo do legado africano na l\u00edngua falada no Brasil, indicou. Outras express\u00f5es e g\u00edrias s\u00e3o citadas tamb\u00e9m pelo professor, como mandinga, moleza, xingar, malandra, quindim, mi\u00e7anga.<\/p>\n<p>Segundo Augusto Ribeiro, \u201cfalar \u00e9 tamb\u00e9m resistir\u201d. E acentua que a cultura negra est\u00e1 viva e valorizada no jeito e na fala do brasileiro. \u201cA fala negra \u00e9 preservada\u201d, afian\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<h2>Tradi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Para o professor Gilvan Muller de Oliveira, doutor em lingu\u00edstica pela Universidade de Campinas (Unicamp), a comemora\u00e7\u00e3o sobre o Dia da \u00c1frica n\u00e3o deve ressaltar o continente apenas como algo do passado do Brasil, quando havia escravizados.<\/p>\n<p>Para ele, a data deve ser comemorada mobilizando a nossa tradi\u00e7\u00e3o como pa\u00eds com mais pessoas de origem africana em todo o mundo fora da \u00c1frica.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cMobilizando as nossas tradi\u00e7\u00f5es oriundas de diversas partes da \u00c1frica, em diferentes momentos, para uma colabora\u00e7\u00e3o com o continente africano, para uma rela\u00e7\u00e3o externa menos colonial que n\u00f3s s\u00f3 temos com a Europa e Estados Unidos\u201d, disse.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo o professor, isso pode ser feito por meio das universidades, com o objetivo de dar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira uma vis\u00e3o do que \u00e9 a \u00c1frica de hoje, \u201cdo que s\u00e3o os pa\u00edses africanos de hoje, quais as oportunidades que eles nos abrem, quais benef\u00edcios essa rela\u00e7\u00e3o bilateral pode nos trazer\u201d. A meta \u00e9 tornar viva essa tradi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no aprendizado que se faz com a popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) realiza a partir desta segunda-feira (25), em Bras\u00edlia, o 1\u00ba F\u00f3rum de Reitores Brasil-\u00c1frica. O objetivo \u00e9 consolidar a educa\u00e7\u00e3o superior como eixo central da rela\u00e7\u00e3o bilateral entre o Brasil e os pa\u00edses do continente africano.<\/p>\n<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews O dia a dia dos brasileiros \u00e9 repleto de palavras derivadas de l\u00ednguas africanas, principalmente dos troncos lingu\u00edsticos banto e iorub\u00e1. Elas nomeiam comidas, sentimentos, partes do corpo e elementos culturais. 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