Atendimento rápido é fundamental para reduzir sequelas e aumentar as chances de recuperação do AVC
Reconhecer os sinais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e procurar atendimento médico o mais rápido possível são medidas fundamentais para reduzir o risco de sequelas e aumentar as chances de recuperação. No Hospital Regional do Cariri (HRC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Juazeiro do Norte, o cuidado começa na emergência, passando pela assistência especializada na fase aguda, e continua após a alta hospitalar.
Em alguns casos de AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria cerebral, pode ser indicada a trombólise, tratamento que utiliza uma medicação intravenosa para dissolver o coágulo e restabelecer a circulação sanguínea. Segundo o neurologista Saulo Oliveira, coordenador da Unidade de AVC do HRC, o tratamento busca reduzir os danos cerebrais, a mortalidade e o risco de sequelas.
“Trombólise busca reduzir danos cerebrais, mortalidade e risco de sequelas”, explica o médico Saulo Oliveira
A trombólise deve ser administrada, quando indicada, em até quatro horas e meia após o início dos sintomas, período conhecido como janela terapêutica. Antes do procedimento, a equipe realiza uma tomografia e avalia possíveis contraindicações.
Entre os sinais de alerta para o AVC estão dificuldade para falar ou compreender, perda de força em um lado do corpo, desvio no rosto e alterações repentinas na visão ou no equilíbrio. Mesmo quando a trombólise não é indicada, o atendimento especializado é fundamental para prevenir complicações e favorecer a recuperação. “Por isso, a importância de que, quando você tem alguém com suspeita de AVC, procure a emergência”, reforça Saulo.
A auxiliar de serviços gerais Cláudia Márcia, 41, moradora de Lavras da Mangabeira, sofreu um AVC em agosto deste ano. “Eu fui dormir normal, aí eu acordei e já não estava mexendo mais do lado direito. Eu fui ao hospital daqui de Lavras. Assim que eu cheguei lá, o médico já me mandou direto para o Hospital Regional do Cariri”, relata.
Na Unidade de AVC do HRC, depois de passar pela avaliação médica, a paciente recebeu a trombólise. A assistência inclui ainda a prevenção de complicações e reabilitação precoce, com atuação de profissionais como fisioterapeutas e fonoaudiólogos.
O cuidado continua após a alta
Claudia Marcia em sessão de fisioterapia com equipe de Saúde da Família de Lavras da Mangabeira
Por meio do projeto Atenção Integrada do Paciente Pós-AVC, o HRC articula o acompanhamento dos pacientes com a Atenção Primária à Saúde dos municípios da região por até 90 dias após a alta. A iniciativa busca garantir a continuidade do plano terapêutico, a adesão aos medicamentos prescritos, o controle de fatores de risco, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, e a realização das reabilitações necessárias.
Após a alta, Cláudia também foi acompanhada por este projeto. “Comecei a fisioterapia em casa. Em menos de uma semana, comecei a andar, dar uns passinhos”. Com o segundo retorno no ambulatório do HRC agendado, a paciente segue tomando os medicamentos prescritos e retomando gradualmente algumas atividades.
“A gente precisa que esse paciente, ao receber alta, dê continuidade a esse plano terapêutico de reabilitação”, destaca o neurologista. O acompanhamento contribui para recuperar habilidades, favorecer a autonomia e apoiar o retorno às atividades cotidianas, além de prevenir um novo AVC.
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