Ubajara Notícias

Primeiro óbito na Serra da Ibiapaba demonstra quebra de protocolo no isolamento do Corpo

Mulher, vítima do COVID-19 é velada de caixão aberto durante todo o dia em Tianguá

A  Secretariada de  Saúde do Estado do Ceará, informou nesta quarta (01) que o numero de casos notificados diariamente no Ceará vem diminuindo com o decorre dos dias, por conta das medidas de isolamento social adotadas. Contudo a Serra da Ibiapaba, teve o primeiro caso de morte ocasionada pelo COVID-19. O caso ocorreu no município de Tianguá, a cerca de 300 km da capital Fortaleza.

Segundo informações apuradas pelo Ubajara Notícias, tratava-se de uma mulher com 89 anos, residente no município de Tianguá. Populares e familiares afirmaram que o corpo foi velado e preparado sem nenhuma informação de suspeita de coronavírus por parte das autoridades sanitárias do município de Tianguá, sendo que varias pessoas tiveram contato com o corpo.

Em áudio o suposto dono da funerária que preparou o corpo, fala sobre o caso, confirmando as informações acima.

O caso preocupa, pois as autoridades sanitárias e epidemiológicas do município de Tianguá, segundo apurado, não tomaram as precauções para proteger a população, podendo ter ocasionado o contato de um corpo, já notificado na época com suspeita de COVID-19, com várias pessoas, ajudando assim a disseminação do vírus.

O secretario de saúde de Tianguá, reconheceu em coletiva de imprensa, que o protocolo de saúde estabelecido foi quebrado. Segundo o secretario,  a notificação e a coleta de material para o exame foi realizada no dia 26 de março sendo o óbito ocorrido no dia seguinte.  Ainda na entrevista, o secretario afirma que o velório ocorreu durante quase todo o dia 27 de março sem nenhuma interferência do município, pois a informação do óbito só chegou ao município as 17:06 horas do dia do óbito. Que por esse motivo o município não teve como agir no sentido de fazer a busca-ativa de todas as pessoas que tiveram contato com a senhora infectada.

Segundo orientação sanitária e epidemiológica dos órgãos de saúde do Estado do Ceará e da União, os óbitos nesse período, mesmo que não haja suspeitas de contágio, devem ser enterrados imediatamente, para a garantir a não disseminação de doenças, em especial a COVID-19, o que não vem sendo feito por muitos no interior e na capital do Ceará.

O fato é que já estamos em infecção comunitária em nossa região da Ibiapaba, não restando outra alternativa a não ser o isolamento social para garantir nossas vidas. É isso mesmo, garantia de nossas vidas.

Digo isso porque na serra da Ibiapaba só dispomos de raríssimos respiradores, cerca de uma ou no máximo duas dezenas, para uma população de cerca de meio milhão de pessoas.

Ora, se a doença se agrava principalmente nos idosos, que em nossa região chega a quase 100 mil pessoas (dados da estatística previdenciária), como 20 respiradores iram dar conta de 100 mil idosos, no mínimo.

De outra banda os números oficias vem mostrando que o isolamento social esta sim funcionando, a curva epidemiologia esta decrescente, como podemos ver no gráfico abaixo.

Isso porque a capital do estado do Ceará esta adotando medidas mais austeras do que o interior nesse trabalho de contenção da disseminação do vírus.

Contudo o interior do Ceará começa a sofre com casos aumentando e sendo confirmados. Esse aumento a nosso sentir esta sendo subnotificado, e por isso não consta nos dados oficiais.

Alguns fatores estão levando as pessoas a não procurarem as autoridades para a devida notificação dos casos. O primeiro é a própria orientação das autoridades, que determinam que em casos leves as pessoas devem permanecerem em isolamento domiciliar e não procurarem hospitais e postos de saúde, contrariando assim a orientação da Organização Mundial de Saúde, que orienta realizar o teste em todos os suspeitos.  O segundo é a demora no retorno dos resultados dos exames por parte do Laboratório Central do Ceará.

Mas um dos principais motivos das pessoas não procurarem as autoridades é o medo do isolamento, necessário para a contenção da disseminação do vírus. Muitas pessoas infectadas se recusam a permanecerem em isolamento social, permanecendo em contato com outras pessoas e as infectando. Os estudos mostram que nesse caso, cada pessoa infectada consegue disseminar o vírus para no mínimo mais 05 pessoas.

Assim, a situação da Serra da Ibiapaba é preocupante.