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Duelo de interesses

Ceará e Piauí travam batalha histórica por disputa territorial

Disputa sem fim! De olho em jazidas de minério de ouro, diamante e manganês, os estados do Ceará e Piauí seguem uma batalha territorial por três áreas em litígio que somam 2.874 km. Além do minério, as terras oferecem a produção de energia eólica e solar e são polo de produção hortifrutigranjeira. Sob julgamento do Supremo Tribunal Federal, a decisão final sobre com quem ficará as terras caberá aos ministros da Suprema corta nacional.

Dentro do Bate-Papo político desta segunda-feira (18), o jornalista Beto Almeida comenta as articulações políticas dos estados para arrematar o território em litígio:

“Eu sinceramente não vi ainda um posicionamento mais firme, eu diria mais direto, da procuradoria geral do estado do Ceará, do próprio governador Camilo Santana, em relação as ações e as contrapartidas que estão sendo adotadas pelo estado do Ceará para se contrapor a essa ofensiva do Piauí. Essa ofensiva do Piauí poderá trazer problemas para nós cearenses na hora da definição que vai ser feita pelo Supremo Tribunal Federal”, afirma Beto.

Do lado piauiense, o deputado Franzé Silva diz que a ação de 2011 foi impetrada para “ter uma segurança” sobre a divisa:

“É uma região muito rica na produção de hortifrutigranjeiro, de energia solar e eólica e que tem um potencial mineral, de reservas com um valor significativo. Durante todos esses anos, isso tem sido incorporado ao PIB [Produto Interno Bruto] do Ceará mesmo sendo uma região não resolvida“, pontua o deputado.

Já pelo lado do estado do Ceará, algumas audiências sobre o tema foram realizadas na Assembleia Legislativa, mas a Procuradoria Geral do Ceará, que defende juridicamente o estado, ainda não se pronunciou incisivamente sobre a questão. Em caso de mudança, muitos municípios serão desmembrados. O caso mais emblemático é o de Poranga (CE), que cederia 66% de suas terras para o lado do Piauí.

As três áreas em litígio somam 2.874 km² —área equivalente a mais da metade do Distrito Federal ou a mais de duas vezes o município de São Paulo, por exemplo. Elas começam ainda no litoral e rasgam o semiárido no sentido sul.

Créditos: Prof Carlos Pereira