Varizes: além de estética, problema afeta qualidade de vida

Aparecimento de veias torcidas, que atinge principalmente mulheres, pode estar ligado a fatores genéticos, mas também a hábitos da rotina e uso de medicamentos; tratamento a laser ainda é opção pouco explorada

Dor, cansaço e “peso” nas pernas, principalmente ao fim do dia. Incômodo ao se arrumar para aproveitar um domingo de praia em Fortaleza e se deparar com as pernas nuas, mas costuradas pelos fios roxos e avermelhados, popularmente conhecidos como “veias quebradas”. Os sintomas foram os principais motivos para a educadora física Fátima Costa, 35, realizar cirurgia para retirada das varizes – problemas circulatórios que ocorrem principalmente entre mulheres e afetam também a qualidade de vida.

Em Fortaleza, neste fim de semana, um grupo de 20 profissionais que atuam no Ceará participa de uma capacitação para aplicar tratamento de varizes utilizando o laser transdérmico, técnica que gera a interação entre raios de luz e a pele para “destruir” as veias. O curso será ministrado por médicos do Instituto Excelência Vascular (EVAS), do Sul do Brasil, em parceria com o Instituto Saúde Vascular e o Hospital São Mateus, ambos da capital cearense.

O cirurgião vascular Carmelo Leão explica as diferenças entre a técnica com o laser transdérmico, considerada menos invasiva e mais complexa, e as outras terapias utilizadas para mitigar varizes. “O objetivo é tratar microvarizes, veias vermelhas e roxas que ficam na pele, por meio de equipamento que emite luz. É procedimento estético, mesmo. Outro tratamento, por exemplo, é a escleroterapia, que usa agulha e seringa para injetar uma substância no vaso e destruí-lo”, pontua.

As injeções, aliás, foram o procedimento procurado por Fátima na tentativa de eliminar os efeitos negativos à saúde que as varizes causavam. “Eu tinha muitas visíveis na panturrilha e nas coxas. A cirurgia e a recuperação foram tranquilas, só tive que usar meias de compressão. Mas, infelizmente, as varizes retornaram, pelo uso de anticoncepcional, aumento de peso e por eu ficar muito tempo em pé”, lamenta a educadora física.

Cuidados

De acordo com Dr. Carmelo, ficar em pé ou sentada por longos períodos e utilizar anticoncepcionais são, de fato, dois causadores do problema circulatório. “Idade, histórico familiar e quantidade de gestações” também influenciam no aparecimento das veias indesejadas. Os sintomas, então, vão desde a aparência roxo-avermelhada até dores nas pernas, cansaço excessivo, formigamento até cãibras.

Para o médico, investir na técnica a laser é uma forma menos invasiva de tratar as varizes. “Diferente das injeções, com o laser, as marcas somem mais rápido, as pacientes sentem menos dor durante a aplicação, a recuperação também é mais rápida, sem necessidade de internação nem repouso. Elas podem retomar as atividades normais, mas é importante utilizar as meias de compressão em qualquer caso”.

A não utilização do acessório médico, além da primeira gravidez, foi o que gerou o retorno das varizes na enfermeira Sâmara Nogueira, 35, mesmo após cirurgia para corrigi-las. “A recuperação na primeira semana foi bastante difícil, surgiram algumas dores. E as varizes retornaram, porque só usei as meias durante a gravidez”, reconhece. “Preciso fazer o procedimento novamente”, conclui Sâmara.

Durante as aulas do curso, dez voluntários servirão como exemplos práticos e receberão o tratamento gratuitamente para demonstrar o procedimento a laser aos médicos. “É um esforço para qualificar melhor nossos profissionais”, afirma Dr. Carmelo. Publicado no Diário do Nordeste.