Greve dos Correios chega ao segundo dia no Ceará

A categoria reivindica um aumento salarial de 3,2%

Servidores dos Correios seguem no segundo dia de greve e protestam em frente à sede da estatal no Centro de Fortaleza na manhã desta quinta-feira (12) e em outros pontos do Estado, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Correios, Telégrafos e Similares do Ceará (Sintect-CE).

De acordo com o coordenador de imprensa, Cláudio Cruz, houve manifestação ainda em frente ao Centro de Distribuição de Encomendas na BR e outros pontos pelo interior. Conforme o Sintect-CE, cerca de 55% da categoria está paralisada e todos os serviços oferecidos pela empresa estão sendo afetados de alguma forma.

Segundo Cláudio, a entrega e atendimento ao cliente são os mais prejudicados. A categoria reivindica um aumento salarial de 3,2%. “A todo momento tratamos essa questão de mediar a solução do problema. Inclusive tivemos adiamento de acordo, mas a empresa fechou o canal de comunicação e infelizmente ficou nessa situação”, pontua.

Dentro das agências, no entanto, aparentemente o funcionamente mantinha o mesmo cenário de antes da greve. O Diário do Nordeste esteve presente em três agências de Fortaleza, entre elas a localizada no Centro, na Rua Senador Alencar. Nas três, segundo os atendentes, o mesmo número de funcionários foi mantido no expediente e o serviço de postagem seguia normalmente, inclusive anunciando no comprovante de postagem o prazo regular de entrega, conforme clientes.

De acordo com os funcionários, ao contrário da postagem, a distribuição das encomendas talvez seja a mais afetada no momento. “A gente está recebendo, só não tá seguindo. Deve ter atraso, né?”, pontua um dos servidores de uma das agências visitadas.

Em nota, os Correios garantiram que 84% dos funcionários trabalham normalmente no Ceará.

Um Plano de Continuidade de Negócios foi aplicado para minimizar os impactos da greve à população. A empresa afirma também que “as federações apresentaram reivindicações que superam até mesmo o faturamento anual da empresa”. O prejuízo acumulado pelos Correios chega a R$ 3 bilhões, de acordo com o órgão.

Os representantes, entretanto, prometem resistir até chegar um consenso. “Estamos para negociar. Nosso governo abriu as portas da nossa empresa para privatização e vai nos demitir, não podemos ficar de braços cruzados diante de tantos ataques históricos a nossa categoria. Só voltaremos ao trabalho quando tiver um acordo”, comentou, Maria de Lurdes Félix, cordenadora geral do Sintect-CE.

A paralização também é pela não privatização da estatal. “De imediato, as perdas seriam os trabalhadores perdendo os seus empregos, que com certeza iria acontecer. Mas, posteriormente, o impacto seria sentido pela população. Grande parte do nosso País tem o serviço dos Correios dentro de uma ótica que financeiramente não é cabível nenhuma empresa privada colocar. Então, essa população ficará desprovida desse serviço, o que não é correto”, destaca.

De acordo com Cláudio, a redução do atendimento, em caso de privatização, seria mais intensa no interior. “Na constituição há a universialização do serviço postal, que é a garantia do serviço de correios em todos os municípios, onde quer que esteja a população. Mas, isso quando público. Quando privado, essa garantia será jogada ao lixo e a sociedade vai amargar infelizmente. Se houver serviço de correios em alguns desses pontos, o que é muito provável não existir, mas se existir, terá um custo muito elevado, que jamais será possível para a sociedade que nós temos hoje, com poder econômico muito baixo”, completa.

A primeira audiência de conciliação acontece na tarde desta quinta-feira (12), em Brasília junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Para aguardar o resultado, parte dos trabalhadores que aderiram a paralização irão se reunir na sede do sindicato.

“Depois da greve, infelizmente, a empresa resolveu dar o dissídio coletivo e encaminhou para a justiça. Daí veio o agendamento da audiência, por meio do TST, de tentar chegar a um consenso entre as partes hoje mesmo. Se caso a empresa tiver sensível e entender realmente que as reivindicações dos trabalhadores são algo básico, que nada mais é que manter o acordo que nós já temos, com reposição tão somente da inflação e resolver essa problemática, acredito que chegaremos a solução do problema”, acrescenta. Publicado no Diário do Nordeste.