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PSDB tenta pacto para acabar com ‘fogo amigo’

tucanos: FHC, Aécio, Alckmin e outros dirigentes tucanos reunidos no Palácio dos Bandeirantes em abril do ano passadoUm dia depois de defender publicamente que o PSDB deve apoiar o governo Michel Temer somente até a aprovação das reformas, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin reuniu ontem, no Palácio dos Bandeirantes, as principais lideranças do partido para firmar um pacto de não agressão entre a ala que quer o desembarque imediato do governo e o grupo que trabalha pela permanência.

Participaram da reunião caciques tucanos que, de uma forma ou de outra, já fizeram declarações públicas pelo desembarque, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente interino do partido, Tasso Jereisssati, o senador Cássio Cunha Lima e quatro governadores da legenda – Marconi Perillo (Goiás), Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), Beto Richa (Paraná) e Pedro Taques (Mato Grosso), além de Alckmin.

Entre os que defendem a permanência estavam o senador Aécio Neves, presidente licenciado do partido, o ex-chanceler José Serra e o prefeito de São Paulo, João Doria.

O encontro às portas fechadas durou mais de quatro horas, e terminou sem uma decisão formal, mas acabou por acirrar ainda mais a crise entre a cúpula e a ala mais jovem do partido.

Ao saber do encontro, deputados que defendem o rompimento avisaram que a decisão da bancada no plenário da Câmara sobre a admissibilidade da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer não será submetida aos dirigentes nacionais.

“Nunca aconteceu na história do PSDB da executiva deliberar sobre o voto dos deputados. Cada um vai votar conforme sua própria consciência”, disse o deputado Daniel Coelho (PE). Ainda segundo ele, a posição sobre o governo se concretiza apenas de um jeito: com os votos do parlamento.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, divulgou nota afirmando que não existe essa dicotomia entre “cabeças brancas” e “cabeças pretas” e que não é possível que o PSDB se “purifique”, migrando do governo Temer. “Minha definição pessoal é clara: “desembarcar” do governo, a pretexto de continuar apoiando as reformas – na verdade abrindo espaço real para o impedimento do presidente – não soaria como ato de coragem.”

Ontem, o relator na Comissão de Constituição e Justiça, Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) leu seu relatório pela admissbilidade da denúncia. Membro da comissão, o deputado Fábio Souza (PSDB-GO) disse que a maioria dos membros da comissão devem votar pela aprovação do relatório. “Até o início da semana passada a maioria era pela permanência. Com a prisão de Geddel (Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo), isso se inverteu.”

‘Não fui convidado’. Vice-presidente nacional do PSDB, o ex-governador Alberto Goldman disse que não foi chamado para o jantar e questionou o poder deliberativo de um encontro que não foi submetido à executiva do partido.

“Não fui convidado e não sei quem estabeleceu quem iria, mas a decisão é da executiva. O encontro de hoje não tem caráter deliberativo”, disse o tucano. Sem citar nomes, Goldman também questiona os interesses políticos que motivam setores do partido.

“Sair do governo pode ajudar a preservar interesses pessoais ou partidários, mas não ajuda o futuro do País”, afirmou.

Aécio. A expectativa é que os líderes tucanos também tenham discutido a situação do senador Aécio Neves, que deixou temporariamente a presidência do partido após decisão judicial que lhe afastou do cargo no Senado por 45 dias.

Na terça-feira passada, quando retomou o mandato parlamentar, o senador mineiro foi pressionado a decidir se retoma a presidência da sigla ou a deixa sob a responsabilidade de Tasso Jereissati,

presidente interino da legenda.

Aécio pretende manter uma indefinição sobre o comando do partido ao menos até a votação, no plenário da Câmara, da denúncia de corrupção passiva contra Temer. A ideia é evitar que Tasso assuma o cargo definitivamente e ganhe mais força para defender o desembarque do governo antes do pleito.

O senador cearense defende que haja uma “solução definitiva” sobre a questão antes do recesso parlamentar, que começa no dia 18 de julho.

Aécio é alvo de oito inquéritos no Supremo Tribunal Federal por crimes como de obstrução à Justiça, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.