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Presos notaram solo arenoso do Complexo

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“O solo por baixo dos presídios é de terraplenagem. É barro compactado. Os presos já descobriram que é de fácil escavação”, afirmou uma fonte do Governo do Estado, explicando o alto número de fugas e de túneis descobertos por agentes. Segundo o servidor, são os detentos que constituem a ‘massa carcerária’, os utilizados como escavadores. Na prisão, são chamados pelos outros internos de ‘toupeiras’.

Conforme a fonte, a situação de crise no Sistema Penitenciário chegou a este ponto gradativamente. “Desde 2013 os presídios, pela superlotação apresentada e a ininterrupta entrada de presos, vinham passando por rebeldias dos internos, que danificavam as grades das celas para permanecerem soltos. A falta de agentes penitenciários para controlarem a situação; o número insuficiente de equipamentos de segurança para eles; e a falta de condições de manejo da população carcerária, para que obras de recuperação fossem providenciadas nas penitenciárias, resultaram na perca da disciplina do Complexo Penitenciário”, declarou.

As dificuldades se agravaram nas rebeliões generalizadas de maio 2016, quando 11 penitenciárias foram praticamente destruídas e os presos dominaram a parte interna das prisões, causando um colapso no Sistema. “Depois disto, a retomada da disciplina vem sendo consecutiva, de presídio a presídio, mesmo sem os recursos chegarem. Ainda restam as CPPLs II e III com presos soltos nas alas das carceragens. Porém, a retomada na CPPL III começou. Três das seis alas estão sendo reformadas, enquanto os 1.300 presos permanecem soltos nas outras três. Ficarão assim até que as reformas sejam concluídas e o processo disciplinar e de controle interno sejam restabelecidos”.

Divisão por facção

A fonte revelou, ainda, que a administração do Sistema Penitenciário tentou colocar em prática ações de prevenção de conflitos e mortes, como ocorrera na Região Norte e mais recentemente em Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. “As fações foram separadas nos diversos estabelecimentos prisionais, sendo o PCC direcionado emergencialmente para à CPPL III, por ser, à época, o que tinha menor número de membros identificados e por ser a facção que estava sendo expulsa dos demais presídios”quot;.

O presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), Cláudio Justa, corroborou que após as rebeliões de maio de 2016, que acarretaram na grande destruição estrutural dos equipamento prisionais, os mecanismos de vigilância e contenção (grades de celas, cercas, telas e câmeras de vídeo-monitoramento), deixaram as unidades muito vulneráveis. “No caso da CPPL III, além dos danos infraestruturais, temos o perfil criminológico dos internos. Eles são membros do PCC, que é a facção criminosa mais perigosa, em razão da sua maior organização e recursos financeiros, advindos do tráfico, que costuma dar apoio externo às fugas”, explicou.

O presidente do Copen revela que os presos da CPPP III são insubordinados à tentativa de disciplinamento por parte da direção das unidades e dos agentes, sobretudo em razão do vínculo com o PCC. “Eles têm lideranças com grande coesão e voz de comando na unidade”, explicou Justa.

Diário do Nordeste