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Joias mais valiosas de Cabral não foram encontradas pela PF

Valor equivalente é menor do que os R$ 6,5 milhões gastos pelo casal em apenas duas joalherias. (Foto: Divulgação )

As joias mais caras adquiridas, de acordo com o Ministério Público Federal, pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo não foram encontradas no apartamento do casal nas duas operações da Lava Jato.

A Polícia Federal concluiu análise das 124 joias e 13 relógios encontrados no imóvel. O laudo indica que as peças valem R$ 4,8 milhões.

O valor é menor do que os R$ 6,5 milhões gasto pelo casal em apenas duas joalherias de acordo com denúncia da Procuradoria. Cruzamento feito pela reportagem entre os laudos e as listas entregues pelas joalherias H. Stern e Antônio Bernardo indica que as peças mais valiosas não foram apreendidas.

Estão entre os exemplares não encontrados um brinco de diamantes de R$ 612 mil, e um anel de rubi de R$ 600 mil, os mais caros da lista.

A joia mais valiosa analisada foi um par de brincos com 24 diamantes, avaliado em R$ 240 mil. que não foi adquirido em nenhuma das duas lojas mencionadas.

O brinco de R$ 612 mil foi comprado na Antônio Bernardo com um colar (R$ 229 mil) e um anel (R$ 159 mil) em 2012. Nenhuma das três peças foi apreendida, indica o cruzamento da reportagem.

O anel de rubi foi adquirido na H. Stern com um brinco (R$ 400 mil). As joias também não constam da lista da PF.

O valor adquirido pelo casal de acordo com as investigações pode ser maior do que R$ 6,5 milhões. A H. Stern firmou delação premiada e apontou compras de R$ 6 milhões para o casal, quase o triplo do inicialmente informado. A diretora comercial da joalheria, Maria Luiza Trotta, afirma ter vendido uma peça de R$ 1,8 milhão a Adriana Ancelmo.

O apartamento do casal foi alvo de mandado de busca e apreensão em novembro e em dezembro. Cabral é acusado de cobrar propina de 5% dos contratos no Estado e sua mulher, de ajudá-lo a lavar o dinheiro e ocultá-lo.

Outro lado

O advogado Alexandre Lopes, que representa Ancelmo, afirmou que as joalherias atribuíram à sua cliente “joias jamais adquiridas por ela”.

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, Ancelmo disse que nunca comprou joias com dinheiro vivo ou fez aquisições “de valores altos”. Ela negou também que as joias compradas fossem dela.

“Não foi comprado por mim. Não foi presente. Honestamente acredito que meu marido não tenha comprado. Quero crer que ele não tenha comprado para outra pessoa”, disse ela, no único momento em que sorriu durante seu depoimento.

A defesa de Cabral informou que se manifestará apenas no processo.

Diário do Nordeste