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Mãe de bailarina desiste de lutar após acusado de matar a filha ser solto pela Justiça

O advogado Wladimir Porto, condenado pela morte da bailarina cearense Renata Braga, em 1993, deve ser solto nesta quarta-feira (3). No fim do ano passado, a defesa dele entrou com habeas corpus pedindo a extinção da pena.

A mãe da bailarina, Oneide Braga, disse receber com surpresa a decisão da soltura de Wladimir. “É com muita surpresa e ao mesmo tempo não. Porque nós moramos no Brasil, e a Justiça no Brasil é desse jeito. Mas pensei que fosse cumprir um pouco mais, não pensei que a pena estava extinta. Fico pensando: ‘por que isso não foi visto antes de ele ser julgado pelo tribunal?”, lamenta em entrevista ao Sistema Jangadeiro.

Oneide afirma que a decisão a fez desistir de lutar pela condenação de Wladimir. “O crime prescreveu, e a minha luta no caso da minha filha também prescreveu. Nem eu nem o pai da Renata vamos recorrer, mesmo que coubesse recurso. Mas não prescreveram as lutas dos casos da APAV [Associação de Parentes e Amigos de Vítimas da Violência], a gente vai continuar batalhando”.

Prescrição do crime

Segundo o advogado de Wladimir, Clayton Marinho, o caso agora está encerrado por prescrição do crime. “Por entendermos que a pena que teria sido definitivamente aplicada ao Wladimir de 9 anos e 2 meses já houvera sido consumida pela prescrição irretroativa, requeremos um habeas corpus. Na terça-feira, a 1ª Câmara Criminal, sob presidência e relatoria da desembargadora Maria Edna, concedeu a ordem a unanimidade, reconhecendo a prescrição, a extinção da punibilidade e determinando via de consequência a expedição de alvará de soltura”, afirmou em entrevista à Tribuna BandNews FM. 

Durante todo o processo, que completa 24 anos em 2017, Wladimir Porto ficou preso cerca de 1 ano. Ainda de acordo com Clayton Marinho, assim que a liberdade de Wladimir acontecer, ele deve voltar para Brasília, onde vivem seus familiares.

Oneide desabafa que a família precisou “mendigar por Justiça” durante 23 anos. “Ele é réu confesso, matou minha filha, lutou com todas as possibilidades que tinha, com bons advogados, com padrão econômico alto. Ele lutou com todas as armas para postergar, adiar mais. Estou com sentimento de que cumprimos nosso papel enquanto família, sociedade e associação. A gente lutou durante todos esses anos, e a Justiça deveria ter vindo naturalmente”.

O caso

A bailarina Renata Braga, de 20 anos, foi assassinada em 28 de dezembro de 1993 na Avenida Beira-Mar, em Fortaleza. Wladimir efetuou disparos de arma de fogo contra o veículo em que estava Renata. O tiro atingiu o olho esquerdo da jovem, que não resistiu e faleceu. O motivo teria sido uma discussão entre Wladmir Lopes e os ocupantes do carro onde estava a vítima.

Veja desabafo da mãe de Renata Braga:

Tribuna do Ceará