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Votação de reforma trabalhista acende sinal de alerta no Governo Temer

Presidente Michel Temer tem agora o desafio de ampliar fidelidade da base aliada para a aprovação da reforma da Previdência EVARISTO SÁ/AFP
Presidente Michel Temer tem agora o desafio de ampliar fidelidade da base aliada para a aprovação da reforma da Previdência EVARISTO SÁ/AFP

A aprovação da reforma trabalhista com 296 votos na Câmara serviu de termômetro para a reforma da Previdência. Antes da votação, houve troca de vice-líderes e um dia inteiro de articulação para garantir o maior número de votos e mostrar força. Mas o resultado ficou abaixo do que seria necessário para aprovar a PEC que altera a Previdência – o maior desafio do governo de Michel Temer.

Na votação da última quarta, quase todos os partidos da base registraram traições. O único que votou integralmente com o governo foi o DEM. Nos casos do SD e do PSB, que detém o Ministério de Minas e Energia, houve mais votos contrários que favoráveis à reforma trabalhista.

“Acendeu uma luz amarela no governo. Agora tem duas saídas: convencer os parlamentares de que a reforma é boa ou conceder cargos, que é o que já dá sinais de que estão fazendo”, avaliou o senador Cristovam Buarque (PPS-DF). Para ele, a reforma trabalhista deve passar sem dificuldades no Senado, mas com modificações. Entretanto, há movimentos contrários no Senado, como o de Renan Calheiros, que criticam as medidas.

O analista político Josênio Parente destacou que o resultado da votação evidencia a desconexão entre sociedade civil e Congresso. “Ali mostra claramente que o Temer tem o Congresso nas mãos e aponta que o Congresso e sociedade civil continuam em dissonância. A crise de representatividade que se expressa por esses acontecimentos”, afirmou.

A lei que altera pontos da Consolidação de Leis Trabalhistas foi apressada, por meio de regime de urgência, para ser votada antes da paralisação geral marcada para hoje.

Previdência

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que vai trabalhar com “paciência” para aprovar a reforma da Previdência., que já teve a votação em Plenário adiada para tentar conquistar mais votos.

“Temos aí duas ou três semanas e, com muita paciência, vou trabalhar para que possamos chegar no plenário com número para aprovar a reforma da Previdência. Precisamos avançar nessa reformas e entregar, em 2018, um Brasil reorganizado e reequilibrado”, disse Maia. “A favor da reforma trabalhista tivemos quase 300 votos. Agora nossa obrigação é mostrar a eles a importância que a reforma da Previdência tem”, acrescentou.

Presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, Carlos Marun (PMDB-MS) disse que o resultado da votação de terça foi uma surpresa positiva e se disse confiante de que a PEC irá passar na Câmara. o resultado foi uma surpresa positiva. “Tenho certeza que o parlamento é composto, em sua maioria, por bons políticos. Por isso, estou confiante que vamos aprovar a reforma”, disse. Mesmo assim, Marun atrasou em um dia a votação do relatório de Arthur Maia (PPS-BA) na Comissão. A apreciação será na próxima quarta, 3. Marun diz que a decisão foi motivada pelo pouco quórum na sessão da quinta-feira, o que teria prejudicado as discussões. (com agências)

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Oposição

O líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o placar da aprovação da reforma trabalhista é um “sinal péssimo” para a votação da previdenciária. “A Previdência é muito mais sensível porque mexe imediatamente com a vida. Portanto, duvido que os deputados que tiveram tanta ousadia ontem em subir à tribuna e defender a reforma trabalhista tenham coragem de subir e defender o fim da aposentadoria rural, porque, na prática, é isso.”

Pressões

Para o analista político Josênio Parente, é preciso aguardar para ver o impacto que as paralisações de hoje terão no Congresso. “Sem dúvida eles são sensíveis à população, que é de onde vem o poder em uma democracia”, disse. Já o deputado Marun disse que o movimento perde a força após modificações no texto da reforma da Previdência.

Mobilização

A partir do resultado da reforma trabalhista, o governo passa a se aproximar dos parlamentares para atender pleitos como a concessão de cargos e pagamento de emendas.

ISABEL FILGUEIRAS
O Povo