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Mãe recorrerá de decisão que exclui policial que baleou menino de ação

A família do menino Luís Guilherme Caxias, de 6 anos, que foi baleado na BR-070 por um policial civil do Distrito Federal, vai recorrer da decisão judicial que exclui o atirador, Silvio Moreira Rosa, como réu do processo que pedia R$ 8,4 mil por danos e despesas hospitalares da criança. Os pais do garoto não concordam com a sentença e alegam que tiveram de vender a casa para pagar o tratamento.

 

“Queremos que a Justiça seja feita da sua forma mais forte, mais severa, mais eficaz e que eu possa ter todos os meus direitos, tudo que ele [Guilherme] tenha direito em todas as esferas”, disse a mãe do menino, Paula Caxias.

O crime aconteceu no dia 6 de janeiro, em um trecho da BR-070, em Cocalzinho de Goiás. Luís Guilherme ficou quase dois meses internado. De acordo com a família, ele teve de passar por duas cirurgias, várias consultas e faz uso, diariamente, de sete tipos de medicamentos.

Depois do longo tratamento, os pais comemoram o fato de o filho estar de volta à residência. “Quando o Guilherme abriu o olho pela primeira vez, quando a gente viu ele se levantar, quando a gente viu o Guilherme falar, foi marcante. Fomos acompanhando o passo a passo da recuperação dele e hoje estar em casa com ele e vê-lo brincar é o que a gente precisava para estar aqui, para estar bem”, ressaltou a mãe.

Decisão judicial
A decisão foi expedida na última segunda-feira (13) pelo juiz Jansen Fialho de Almeida. Na sentença, o magistrado diz que a responsabilidade pelos gastos é apenas do governo do Distrito Federal, já que o policial é agente público e representava o Estado – podendo depois ser alvo de processo administrativo.

A advogada da família, Karolyne dos Santos, afirma que a decisão dificulta ainda mais a possibilidade de seus clientes serem ressarcidos. Ela justifica que o governo só costuma ser obrigado a pagar após decisões superiores. “O juiz retirou a chance da família responsabilizar o Sílvio pelo que ele cometeu. Ele não estava na sua função de policial quando o fato ocorreu”, alega a advogada.Versão de policial que baleou garoto no trânsito é 'absurda', diz delegado em Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

A TV Anhanguera não conseguiu contato com o governo do DF para se posicionar sobre a decisão. O G1 também tenta localizar a defesa do policial, que segue preso até esta quarta-feira (15), em Goiânia.

Apesar de ser liberado de pagar os gastos, Rosa ainda responde pelo caso na esfera criminal. Uma audiência está marcada para o dia 11 de maio em Cocalzinho de Goiás, mesmo dia do aniversário de Luís Guilherme.

Crime
Segundo a Polícia Civil, o garoto foi baleado enquanto estava sentado na cadeirinha de segurança, no banco de trás do carro. Inicialmente, Rosa fugiu do local do crime.

O pai disse à polícia que o policial ficou irritado por ter sido ultrapassado e começou a atirar contra o carro em que ele, a esposa e o filho viajavam.

Luís Guilherme Caxias está em casa, em Goiás (Foto: Arquivo pessoal)

Rosa foi preso em uma estrada de terra na zona rural. Junto com ele, estavam a namorada dele – que estava grávida na época – e mais duas adolescentes, uma irmã e uma prima da mulher.

Ao ser detido, Rosa alegou aos policiais militares que disparou por acreditar que seria vítima de um assalto. O delegado classificou como “absurda” a versão do policial. Ele explicou que o disparo ocorreu após uma “fechada” entre os carros na rodovia.

“Essa questão do assalto é absurda. Ele perseguiu o pai da vítima e emparelhou o veículo antes do tiro. Quem está sendo assaltado não vai atrás do ladrão”, disse na época o delegado Danilo Victor Nunes de Souza, que registrou o caso.

O Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) denunciou ao Poder Judiciário o policial por três tentativas de homicídio duplamente qualificada. Segundo o promotor de Justiça Eliseu Antônio da Silva Belo, Rosa tentou matar por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa do casal e do filho de 6 anos.

Criança baleada por policial civil é carregada por moradores, em Goiás (Foto: Bárbara Lins/TV Globo)

G1