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Cabral diz em videoconferência que usava helicópteros para viagens por ‘segurança’

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral começou a ser ouvido, por videoconferência, por volta das 15h desta terça-feira (21), no processo que apura se ele usou de forma irregular os helicópteros do estado durante o seu mandato. Preso em Bangu por outros procesos, desdobramentos da Lava Jato, ele disse na audiência que usava as aeronaves do estado por segurança.

Segundo Cabral, havia recomendação do gabinete militar para que ele viajasse de helicóptero, mesmo em viagens particulares, como para sua mansão em Mangaratiba, para onde assumiu ter viajado várias vezes com a família. Ainda de acordo com o governador, segundo orientações, o uso de voos privados o colocaria em risco.

Sérgio Cabral disse não se lembrar de autorizar a viagem de outras pessoas no helicóptero do governo.

Em sua defesa, o ex-governador afirmou ter sido o primeiro governador a aprovar um decreto para regularizar o uso de helicópteros, em agosto de 2013. Após o decreto, segundo Cabral, o uso de helicópteros foi reduzido.

O subsecretário de Operações Aéreas, coronel Marcos Oliveira César, foi ouvido em seguida. Ele disse que recebia as informações sobre destino e quantidade de passageiros da assessoria de Cabral e que não eram especificados nomes dos passageiros transportados.

Segundo o coronel, na maior parte dos fins de semana o ex-governador se deslocava para Mangaratiba e que, eventualmente, por questões de agenda, o helicóptero era usado para levar e buscar o governador. Oliveira César disse não se recordar do uso da aeronave para fins particulares.

Ameaças, diz coronel

O subsecretário afirmou também que havia informações de ameaças contra ex-governador Sérgio Cabral e família – inclusive o cachorro – e que, eventualmente, a aeronave era utilizada para deslocamento do Leblon, onde ficava o apartamento da família de Cabral, para Palácio Guanabara.

Ainda segundo o coronel, a equipe de Segurança fez levantamento na época e concluiu que era mais econômico usar a aeronave do que uma comitiva de carro.

A mulher do ex-governador, Adriana Ancelmo, é uma das testemunhas da ação que corre no Tribunal de Justiça do Rio. Os dois detõem por teleconferência do presídio Bangu 8.

Sérgio Cabral foi preso no dia 17 de novembro de 2016, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Calicute, que apura fraudes em licitações do governo fluminense. Ele é suspeito de receber milhões em propina para fechar contratos públicos. Ele é alvo de uma operação que apura desvios em obras do governo estadual. O prejuízo é estimado em mais de R$ 220 milhões.

Adriana Ancelmo está presa desde 6 de dezembro do ano passado, no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste. A prisão é a mesma onde está o marido. Ela foi detida na Operação Calicute, que é um desdobramento da Lava jato no Rio, por suspeita de lavagem de dinheiro e de ser beneficiária do esquema de corrupção comandado por Cabral.

O patrimônio ilícito do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) é, segundo o Ministério Público Federal (MPF), um “oceano ainda não mapeado”.

Nova denúncia

O ex-governador presta depoimento no mesmo dia em que o Ministério Público Federal enviou nova denúncia à 7ª Vara Criminal Federal contra ele. Desta vez, os procuradores apontam mais 148 crimes de lavagem de dinheiro – ele já responde a outros 184, só em uma denuncia anterior.

G1