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Lucas vê Barça favorito, pede PSG perfeito e celebra artilharia brazuca

Ainda faltam muitos jogos até o fim do calendário atual, mas Lucas Moura já bateu seu recorde de gols em uma mesma temporada desde que chegou ao Paris Saint-Germain, em 2013. Marcou 14 vezes, uma a mais do que em 2015/16. O número também representa para ele a artilharia entre os brasileiros que atuam na Europa. Está em primeiro lugar, empatado com Giuliano, do Zenit-RUS e à frente, por exemplo, de Neymar (10, Barcelona), Jonas (9, Benfica) e Roberto Firmino (9, Liverpool) – Diego Costa, do Chelsea, tem 15 gols, mas é naturalizado espanhol. Isso é consequência do gradativo aumento da importância que o meia-atacante tem para o PSG. Ganhou espaço com o passar dos anos e hoje é titular absoluto do time francês.

E Lucas tem um desafio e tanto pela frente. Como um dos líderes deste Paris Saint-Germain, tem a tarefa de conseguir a classificação contra o poderoso Barcelona no duelo pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. O camisa 7 acha que o favoritismo está com a equipe do amigo Neymar. Mas acredita na vaga e, para alcançar esse objetivo, pede que o PSG faça duas partidas perfeitas. A primeira será nesta terça-feira, às 17h45 (horário de Brasília), no Parque dos Príncipes, em Paris – o GloboEsporte.com acompanha todos os detalhes em Tempo Real.

Lucas Moura com o cachorro Flecha na casa onde vive em Paris (Foto: Ivan Raupp)

– Sem dúvida. Acho que pela tradição, pelos jogadores que eles têm, e o Barcelona é uma equipe que está acostumada a jogar a Liga dos Campeões e a ganhar. Então, sem dúvida eles entram como favoritos, sim. (…) Vai ser um confronto de duas grandes equipes. Temos que fazer dois jogos praticamente perfeitos para ganhar do Barcelona. Mas é possível, acho que a gente pode passar – disse Lucas, em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com.

É esperada a presença de Tite nas cadeiras do estádio para ver de perto o jogão. Ou seja, grande oportunidade para Lucas, ausente das últimas listas de convocados, mostrar que merece estar na seleção brasileira. Só que, apesar da boa fase, ele diz que “é difícil falar alguma coisa” por conta do ótimo momento que vive o time canarinho. Por isso, planeja continuar trabalhando com paciência à espera de uma chance com Tite.

A seguir, veja a entrevista completa com Lucas Moura:

GloboEsporte.com: Como está essa vida de recém-casado?
Lucas: Está maravilhosa. Graças a Deus é um sonho realizado. Está sendo uma bênção, estou muito feliz. Hoje me sinto um homem realizado, completo.

Lucas Moura com o cachorro Flecha na casa onde vive em Paris (Foto: Ivan Raupp)

E como é a vida em Paris? Aqui tem muito coisa para se fazer, né? 
Agora em janeiro completou quatro anos que estou aqui em Paris. Passa muito rápido, passa voando. Cheguei aqui com 20 anos e hoje estou com 24, casado e bem adaptado, graças a Deus. E eu sempre falo que sou muito abençoado por poder jogar em uma grande equipe e morar em uma grande cidade, que é Paris, uma das mais visitadas do mundo. Então, para mim é também um sonho.

Pretende fazer carreira longa no PSG?
Sem dúvida. Penso muito em ficar aqui por muito tempo, construir a minha história aqui e ganhar muitos títulos. Não penso em sair. Eu gosto muito da cidade, do clube, dos torcedores. É uma experiência fantástica que estou vivendo aqui.

Por falar nisso, chegou a ter ofertas para sair nos últimos tempos?
Nada de concreto. Saíram algumas especulações, mas nada de concreto.

Você foi nomeado embaixador do Mundial de Hóquei no Gelo de 2017, que será sediado em Paris e em Colônia, na Alemanha. Como foi isso?
Foi uma oportunidade muito bacana que surgiu e aceitei como uma maneira de agradecer ao povo francês, que me acolheu muito bem e me trata muito bem aqui. E também de mostrar que é um povo que recebe muito bem os estrangeiros. Abre uma porta para o nosso país e dá uma valorizada nesse esporte. Acho uma oportunidade bacana e gostei de participar.

gol de lucas, psg x basel (Foto: REUTERS/Benoit Tessier)

Já jogou hóquei no gelo?
Não joguei. É muito difícil. Não consigo nem andar de patins (risos). Mas é bacana.

Hoje você é titular absoluto do PSG. Sente que sua importância e seu espaço no time aumentaram?

Sem dúvida. Acho que é natural isso. Não me considero um titular absoluto, mas um jogador importante no time. No começo teve aquele período de adaptação, que é natural. Acho que todo brasileiro tem essa dificuldade de adaptação, porque chega na Europa e o clima é mais frio, os europeus são mais frios também. O brasileiro é sempre aquela alegria, tem sempre aquela receptividade muito bacana, e aqui não tem muito isso. Então a gente sempre sofre um pouco quando troca de país. Mas acho que, com o passar dos anos, fui me adaptando e hoje me sinto totalmente adaptado à filosofia do futebol francês, à cultura… A cada ano fui ganhando o meu espaço no time, trabalhando, e hoje me sinto uma peça importante.

Você vive um momento artilheiro. O que aconteceu para começar a fazer mais gols?
Isso é verdade. Fico muito feliz com essa fase, é muito bacana. Sempre falei que não sou um artilheiro, não sou um matador. Eu gosto de vir com a bola dominada, criar situações de gol. Mas quando cheguei aqui fui muito criticado por isso, pela falta de fazer gols sendo um atacante. E até algumas críticas foram erradas, na minha opinião, porque acho que estatística é importante no futebol, mas não é tudo. Você pode fazer um grande jogo sem fazer nenhum gol, pode fazer muitas jogadas, ajudar na marcação, criar uma jogada que termina em gol, dar uma passe decisivo, acho que isso é muito importante também. Acho que você tem que analisar os 90 do jogador. Muitos jornalistas, às vezes, só olham quem fez o gol, quem deu o passe e fazem as suas análises do jogo. Mas procurei melhorar nisso, crescer, que é importante para um atacante também fazer gols. Também é uma emoção diferente. E fui melhorando. Hoje eu viso bastante ao gol e procuro ajudar a minha equipe da melhor maneira.

O PSG está mostrando que há vida sem Ibrahimovic, né?
Não podemos depender só de um. Claro que ele faz falta pela qualidade que tem e pelo respeito que impõe diante dos adversários, mas uma equipe grande como o PSG não pode depender de um jogador. A gente se reforçou, chegaram o Di María, o Draxler, que é um grande jogador, e o Cavani está vivendo uma fase fantástica. Então, a gente continua muito forte, e a cada ano que passa a gente ganha um respeito maior no cenário europeu. Fico muito feliz de poder fazer parte desse time e procuro ajudar também da minha maneira.

Ibrahimovic Lucas PSG Lyon (Foto: Reuters)

O Cavani tem 33 gols em 31 jogos na atual temporada.
Ele, sim, é uma matador nato. Aquele cara que é um finalizador e está sempre ali dentro da área, esperando a bola para poder fazer o gol. É a posição em que ele gosta de jogar. O verdadeiro camisa 9, o centroavante, tem muita movimentação. Está vivendo uma fase fantástica, espero que continue assim, pois vai nos ajudar bastante.

O Ibra é um jogador cascudo, que fala muito em campo e dá bronca nos companheiros. Você acha que após a saída dele o time do PSG ficou mais solto, principalmente quem joga na frente?
Não acredito. Acho que cada jogador tem seu estilo. Ele é muito autêntico, tem personalidade muito forte, fala o que pensa, mas a gente sabe lidar com isso. Fora do campo a gente sabe a maneira dele de ser, é um cara muito do bem, trata todo mundo bem, com respeito, dava vários conselhos pra mim também. Então, é saber lidar, saber se adaptar ao jeito de cada um. Eu passei um pouco disso também no São Paulo com o Luis Fabiano, que também tem uma personalidade forte, mas é o respeito acima de tudo. O Ibra tinha muito respeito pela gente, apesar desse jeito estourado, então nunca tivemos problema com isso.

Após alguns anos de domínio do PSG, o Campeonato Francês agora está mais equilibrado. Monaco e Nice também estão na disputa lá em cima. Por que essa mudança? 
Acho que, com o passar dos anos, as equipes vão se reforçando. O Monaco tem uma equipe muito forte, que está bem entrosada, um treinador que já está há algum tempo no time e encontrou uma maneira de jogar muito sólida, fazendo uma campanha maravilhosa. Acho que isso é bom para o Campeonato Francês, para o futebol francês, deixa o campeonato mais disputado, mais bonito de se assistir e é bacana. O Lyon sempre chega ali brigando, o Nice é uma surpresa que também está muito forte. Isso é legal.

Alguém esperava esse sucesso do Nice?
Para falar a verdade é uma surpresa. A gente não esperava que estaria brigando assim. A gente sempre aposta nas grandes equipes como Monaco, Lyon, e o Nice vem surpreendendo. O Balotelli está muito bem, o Dante chegou e tomou conta ali da zaga, tem grandes jogadores ali no meio-campo. É uma supresa boa para o futebol francês.

Nesta terça tem o jogo de ida contra o Barcelona pela Champions. Eles são favoritos?
Sem dúvida. Acho que pela tradição, pelos jogadores que eles têm, e o Barcelona é uma equipe que está acostumada a jogar a Liga dos Campeões e a ganhar. Então, sem dúvida eles entram como favoritos, sim. Mas a gente sabe que favoritismo fica mais fora do campo. A gente tem que provar isso dentro do campo, dentro dos dois jogos, e futebol é uma caixinha de surpresas. Nunca se sabe o que vai acontecer. Acredito que também temos uma grande equipe. A gente está disputando a Champions League há cinco anos, então o time está ganhando uma força interessante, com jogadores de nome, de qualidade. Podemos incomodar.

Lucas Moura recebeu o GloboEsporte.com na casa onde vive em Paris (Foto: Ivan Raupp)

O PSG vem ganhando corpo com o passar das temporadas. Isso pode ser um diferencial em mata-mata de Champions?
Sem dúvida. O time vai se acostumando ao modelo da Champions League, até o próprio torcedor vai confiando mais na equipe, então a gente ganha mais força, sim. A cada temporada ganhamos mais moral. Vai ser um confronto de duas grandes equipes. Temos que fazer dois jogos praticamente perfeitos para ganhar do Barcelona. Mas é possível, acho que a gente pode passar.

Fez alguma aposta com o Neymar? Trocaram mensagens?
Não conversei com ele ainda antes do jogo. Nesses próximos dias provavelmente vou mandar mensagem para ele. A gente sempre troca mensagens assim antes do confronto, é sempre uma brincadeira sadia, mas nada de apostas.

Dizem que o xeque Nasser Al-Khelaïfi, dono do PSG, tem obsessão pelo título da Champions. Existe isso mesmo?
Creio que deve existir, mas ele nunca externou isso pra gente. Mas na verdade acho que é um sonho, uma obsessão para tomo mundo, para os jogadores que ainda não ganharam, para o presidente que tem um projeto muito ambicioso no PSG. Acho que deve ser um grande objetivo dele. Mas é natural, a Champions League é, sem dúvida, a competição mais almejada do mundo, a mais bela, então é natural esse sonho.

Lucas Seleção Brasileira Brasil Olimpíadas (Foto: AFP)Agora falando de seleção brasileira. Você não tem feito parte da lista de convocados. Isso tem te incomodado?
Não, de maneira alguma. Claro que a Seleção é sempre um objetivo, é sempre um sonho vestir a camisa do meu país, representar a minha nação. Mas também tenho que saber respeitar o momento da Seleção, respeitar o treinador, as escolhas. E é difícil falar alguma coisa. A Seleção está em uma fase maravilhosa agora. Depois que o Tite assumiu, ele colocou o time na liderança das eliminatórias. A campanha é muito boa. É difícil falar alguma coisa. Tenho que continuar trabalhando aqui e esperar uma oportunidade, pois creio que um dia ela vai aparecer.

Quando você pensa nesse assunto, chega a alguma conclusão? Por que não está na Seleção?
É difícil eu falar o porquê. É muito da cabeça do treinador, cada um tem sua preferência, cada treinador tem suas decisões. Eu tenho é que estar trabalhando. A Seleção tem muitas opções de jogadores. O Brasil sempre teve várias gerações de muita qualidade, com muitos jogadores que podem representar muito bem nosso país. Então, tenho que saber esperar, ter paciência. Sou novo ainda, tenho tempo. Tenho que continuar trabalhando e esperar a minha oportunidade.

Qual a sua opinião sobre o trabalho do Tite à frente do Brasil?
Sem dúvida nenhuma é muito merecimento. É um nome que tem 100% de aprovação dos brasileiros para estar na Seleção, por tudo o que ele fez no Corinthians nos últimos anos. A Seleção é merecimento tanto para o treinador quanto para os jogadores. Se ele está lá é porque fez por merecer. É um cara que está trazendo de novo a identidade do povo brasileiro com a Seleção, trazendo de novo o respeito que o time merece. Está fazendo um trabalho muito bom.

A Copa do Mundo já é no ano que vem. Acha que estará na Rússia?
Tenho esperança, creio nisso, sim. É um grande sonho, um objetivo de estar disputando uma Copa do Mundo. Vou trabalhar bastante para que esse sonho se realize no ano que vem.

GE