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Policiais trabalham em sala alagada da Decap

A reportagem verificou alagamento na sala das filmagens dos presos. (Foto: Yago Albuquerque)

 

Água parada, lixo, mato e infiltrações e rachaduras nas paredes. Essas são as condições em que funciona a sala de filmagem de presos da Polícia Civil do Ceará (PCCE), em Fortaleza, em um casarão histórico da cidade localizado na Rua São Paulo, no bairro Jacarecanga.

A reportagem recebeu a denúncia de um policial civil, que não será identificado, e visitou o casarão para constatar o descaso. O prédio, que foi construído entre 1947 e 1950 para abrigar o ex-prefeito Acrísio Moreira da Rocha, acabou sendo alugado para a Polícia Civil na década passada, recebendo a Divisão de Antissequestro (DAS).

Na parte externa, a piscina do imóvel acumula água da chuva, o que pode tornar um foco de mosquitos transmissores da dengue e outras doenças.

Quando o prédio da Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), situado no Centro, entrou em reforma, os trabalhos da Especializada foram transferidos para o casarão. Recentemente, a DAS foi transferida para o atual Complexo de Delegacias Especializadas (Code), no Bairro de Fátima, e a reforma na Delegacia de Capturas ficou pronta. Entretanto, o serviço de filmagem dos presos continua sendo realizado no imóvel situado no bairro Jacarecanga.

O suspeito de cometer algum crime passa pelo procedimento quando deixa o xadrez de qualquer Delegacia da Polícia Civil para ir a uma audiência de custódia, onde pode ser liberado ou encaminhado ao presídio.

O trabalho, de responsabilidade da Delegacia de Capturas, acontece em horário comercial, em um ambiente que apresenta sinais de descaso, em um prédio que aparenta estar abandonado: pintura suja, portas danificadas, objetos quebrados e enferrujados, focos de água parada, lodo, paredes quebradas e com infiltrações e rachaduras, entre outros problemas estruturais.

O policial civil que enviou a denúncia afirmou que a sala de filmagem ainda não foi transferida para a nova Delegacia de Capturas para os presos não sujarem as paredes recém-pintadas. “Na sala (de filmagem), o teto está caindo e os colegas estão trabalhando ali, ferindo o princípio da dignidade humana e do interesse público. Condições degradantes e desumanas de trabalho”.

A vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol-CE), Ana Paula Cavalcante, destaca que o descaso é um “risco à saúde” dos dois policiais civis (um inspetor e um permanente) que trabalham na unidade e a quem passa pelo local, principalmente por causa da grande quantidade de água parada que pode reproduzir os mosquitos Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, febre amarela, chikungunya e zika vírus.

Outro perigo apontado pela representante da categoria é a insegurança do prédio, pois o portão permanece aberto durante todo o horário comercial, com a presença de apenas dois agentes de segurança no local. De acordo com Ana Paula, dois homens suspeitos invadiram a mansão na semana passada e tiveram que ser afugentados pelos policiais.

Atraso

A reportagem apurou que os outros serviços e o restante do efetivo da Delegacia de Capturas da Polícia Civil já estão locados na unidade do Centro. Entretanto, o prédio ainda não foi inaugurado oficialmente, o que estaria esbarrando a transferência da sala de filmagem.

Segundo Ana Paula Cavalcante, a inauguração do novo prédio, que estava prevista para o mês de março de 2016, está atrasada por causa de um imbróglio entre o Poder Judiciário e a Polícia Civil. Ainda de acordo com ela, não houve acordo para que o novo prédio funcione como um Juizado de Custódia, que receberá até 300 presos provisórios.

O Sinpol-CE cobra da Polícia Civil uma rápida solução para os problemas encontrados na unidade localizada na Rua São Paulo. “A situação é de extrema insalubridade, com mofo, rachadura e infiltração na parede. Não tem a mínima condição de continuar assim”, afirmou Ana Paula.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) foi procurada para comentar o caso, mas não enviou resposta até o fechamento desta edição.

Diário do Nordeste