Ubajara Notícias

Hospitais venezuelanos sofrem com precariedade e escassez em meio à crise

Virginia Vargas descansa com seu bebé em um quarto no hospital público de Cumaná, no estado de Sucre, na Venezuela. Segundo a obstetra Javier Vegas, o hospital não conta com remédios básicos (Foto: Rodrigo Abd/AP)
Virginia Vargas descansa com seu bebé em um quarto no hospital público de Cumaná, no estado de Sucre, na Venezuela. Segundo a obstetra Javier Vegas, o hospital não conta com remédios básicos (Foto: Rodrigo Abd/AP)

A crise que assola a Venezuela não deixou de afetar os hospitais, onde a escassez de material sanitário e remédios e, em alguns casos, as paupérrimas condições de atendimento, são o pesadelo de pacientes que não podem pagar por consultas particulares.

Instalações deterioradas, equipamentos danificados e banheiros “contaminados” que obrigam pacientes, familiares e funcionários a compartilharem os que funcionam, são algumas das deficiências de vários centros médicos públicos venezuelanos.

No Hospital Dr. José María Vargas, um dos mais importantes de Caracas, um menino de 13 anos “parece” estar com dengue porque tem erupções na pele, e “parece”, segundo Eneida Suárez, sua mãe, porque o hospital não conta com o reagente nem o material para realizar o exame e diagnosticá-lo.

“Tenho que comprar dois tubos, um verde e um roxo, para ele fazer os exames. Este exame tem que ser feito em outro hospital. Enquanto isso, me disseram para dar a ele paracetamol”, relatou Eneita à Agência Efe.

A mulher foi até a farmácia em frente ao hospital, pediu esse e outros remédios recomendados pelo médico, mas não encontrou nada do que precisava na drogaria.

Danny Golindano, médico residente de Hematologia do Hospital Vargas, afirmou que o centro de saúde tem inúmeras necessidades.

As pessoas esperam horas para serem atendidas, e têm que fornecer pessoalmente muitos dos materiais necessários, desde luvas até o cateter que será implantado no paciente, relataram à Efe vários pacientes e médicos.

“Há pacientes que precisam de intervenção cirúrgica e foram encaminhados ao (Hospital) Pérez Carreño, ao Universitário, porque o hospital não conta com o material necessário para atendê-los”, afirmou Golindano, que também é coordenador da ONG venezuelana Médicos pela Saúde.

No entanto os hospitais aos quais os pacientes são enviados não estão necessariamente em ótimas condições.

O hospital Dr. Miguel Perez Carreño, também no oeste de Caracas, sofre de falta de leitos, segundo familiares de pacientes que chegaram a este centro em busca de atendimento.

Hospital Ana Francisca Pérez de León I, situado nos arredores da favela de Petare, a maior da Venezuela, só aceita pacientes em casos de emergência. Segundo um funcionário da segurança, pela proximidade com a favela, o hospital atende majoritariamente a pessoas feridas por armas de fogo, enquanto o Pérez de León II, criado ao lado em 2012, tem consultas de várias especialidades, mas não atende este tipo de emergência.

A crise também afeta o Hospital Dr. Domingo Luciani, que fica a poucos quilômetros do Pérez de León, onde os acompanhantes das pessoas internadas têm que esperar do lado de fora das instalações até serem chamados para entrar nos quartos.

Uma situação parecida com a do Hospital Universitário de Caracas, onde os familiares dormem à noite nos arredores do centro de saúde.

Mas não só os pacientes sofrem pela situação dos hospitais; as equipes médicas também enfrentam a frustração de não terem as ferramentas necessárias para atender.

A crise não se limita ao atendimento, já que, quando o paciente não sobrevive, os necrotérios de alguns hospitais têm dificuldades para preservar os corpos.

No Hospital Vargas, as câmaras frigoríficas não funcionam e, como não há macas suficientes, os corpos são colocados no chão e sofrem rapidamente o processo de decomposição, segundo Golindano.

Os cidadãos com recursos ainda podem recorrer às clínicas particulares, que, embora disponham de melhores condições, também sofrem a carência de equipamento médico e outros problemas, como os cortes no fornecimento de água.

A rede de Centros de Diagnóstico Integral (CDI) e de ambulatórios públicos de atendimento primário nos bairros populares funciona adequadamente, segundo moradores dessas áreas, que ressaltam que o problema é recorrente em casos de quadros de saúde mais graves.

A Efe tentou, sem sucesso, conseguir uma versão oficial sobre a situação dos hospitais públicos de Caracas citados nesta crônica.

G1