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Região Metropolitana: crimes aumentam e desafiam Polícia

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Insegurança: Bando invade casa, idoso leva tiros, mas mata um assaltante ( FOTO: NAVAL SARMENTO )

Apesar do Estado apresentar queda no número de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) há 15 meses seguidos, em comparação ao mês relativo do ano anterior, algumas regiões ainda veem a violência aumentar.

A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), com 14 municípios divididos pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em três Áreas Integradas de Segurança (AIS), é a macrorregião do Ceará que registra o maior aumento da estatística no acumulado de 2016, em comparação a igual período de 2015, exigindo da Polícia uma atenção maior para 2017.

Entre os meses de janeiro e novembro deste ano, 727 pessoas foram vítimas dos CVLIs, que incluem homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, na RMF. O número representa um aumento de 4,3% em relação aos 697 crimes ocorridos entre janeiro e novembro do ano passado, de acordo com dados da SSPDS. O percentual está distante da meta do programa estadual ‘Em Defesa da Vida’, que é a redução de 6% desses crimes.

Secretário-adjunto da Pasta, o coronel Lauro Carlos de Araújo Prado afirmou que a mudança já foi percebida pela Secretaria, que está preparando uma reorganização das forças policiais, para o próximo ano, para combater com mais ênfase o aumento dos CVLIs na Região Metropolitana de Fortaleza.

Ao longo deste ano, o índice variou bastante na região, registrando aumento em alguns meses e redução em outros. Enquanto meses como agosto e setembro apresentaram, respectivamente, reduções de 11,66% e 25,7% nos números de CVLIs, em comparação aos meses iguais do ano passado, os meses de fevereiro e março apresentaram aumentos de 31,34% e 68,62%, respectivamente.

Entre as Áreas Integradas de Segurança responsáveis pela RMF, a AIS 7, que atende os municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, é a que apresentou o maior aumento de CVLIs neste ano, 6,84%. Entre janeiro e novembro deste ano, foram 203 mortes, enquanto em igual período do ano passado foram registradas 190.

Na AIS 9 (Eusébio, Aquiraz, Pindoretama, Cascavel, Horizonte, Pacajus e Chorozinho), o acréscimo no número de mortes foi de 3,9%, passando de 205 no ano passado para 213 neste ano. Já na AIS 8 (Maracanaú, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba e Itaitinga), o aumento dos casos foi de 3,32%, aumentando de 301 mortes violentas em 2015 para 311 em 2016.

O tamanho do território da Região Metropolitana de Fortaleza é uma preocupação para a SSPDS. Alguns municípios chegam a ser maiores sozinhos que a Capital, que tem uma população bem maior. O efetivo policial designado para uma região é baseado no número de habitantes, e não no território. Ou seja, os policiais da Região Metropolitana acabam tendo que se deslocar mais quando são chamados para alguma ocorrência, o que prejudica o combate à criminalidade.

Vítimas

O coronel Lauro Prado defendeu que “a maioria das pessoas que são vítimas de homicídios (responsável pela grande maioria dos CVLIs) contribuem para os próprios índices de violência”, referindo-se principalmente às muitas mortes causadas por brigas entre gangues pelo domínio do tráfico de drogas, o que acontece em todo o Estado, inclusive na Região Metropolitana.

Um exemplo dessa disputa que faz muitas vítimas se deu no dia 29 de agosto deste ano. Três homens que estavam a pé foram perseguidos e assassinados a tiros por quatro suspeitos em um veículo, em uma parte do bairro Siqueira que pertence ao município de Maracanaú. Segundo o comandante da AIS 8, tenente-coronel Océlio Alves, o motivo dos crimes foi uma briga entre duas gangues, “A Gangue dos Palhaços” e “Os Bruxos”, por território para o tráfico de drogas.

Em outubro, a vítima foi um assaltante. Quatro homens invadiram uma mansão na Lagoa do Banana, em Caucaia, e foram surpreendidos pelo revide do proprietário do imóvel. O suíço Lucien Louis Merlin, de 73 anos, levou oito tiros, mas matou um dos bandidos e obrigou os outros três a fugirem.

Roubos

O número de Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs), ou roubos, também sofreu um aumento na RMF em 2016. Entre janeiro e outubro deste ano, a região registrou 9.468 ocorrências, um aumento de 22,91% em relação a igual período do ano passado, quando a Polícia registrou 7.703 roubos. Os dados de novembro ainda não estão disponíveis no site da SSPDS.

O aumento de CVPs na Região Metropolitana aconteceu em todos os meses do ano, com maior destaque para fevereiro (36,8%) e junho (34,17%).

A SSPDS explica que o acréscimo expressivo de registros, ocorrido em todo o Estado, foi proporcionado pelos esforços da Pasta em facilitar que as pessoas que são alvos de roubos façam o Boletim de Ocorrência (B.O.).dsa

Diário do Nordeste