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Parentes de policiais presos por chacina fazem abraço coletivo em presídio militar

Abraço coletivo foi feito por amigos e familiares dos policiais (FOTO: Reprodução Whatsapp)
Abraço coletivo foi feito por amigos e familiares dos policiais (FOTO: Reprodução Whatsapp)

Pelo menos 1.000 pessoas, entre familiares e amigos de policiais presos acusados de participação na chacina de Messejana, em Fortaleza, estiveram presentes num protestos na noite desta quinta-feira (24). A manifestação, realizada em frente ao 5º Batalhão da Polícia Militar, no Centro da cidade, é o local onde os 44 policiais estão detidos desde agosto.

Além do ato, uma ação inusitada chamou atenção. Durante o protesto, os manifestantes realizaram um abraço coletivo ao Batalhão, que também é sede do presídio militar na capital.

Entre os manifestantes estavam o vereador eleito em Fortaleza Soldado Noélio (PR), e o deputado estadual Capitão Wagner (PR). Conforme o vereador, que está acampado no local desde o dia 18 de novembro, o ato tem o objetivo de alertar a população sobre a acusação injusta dos policiais.

Noélio foi eleito nas últimas eleições municipais de Fortaleza (Reprodução TV Jangadeiro/SBT)
Noélio foi eleito nas últimas eleições municipais de Fortaleza (Reprodução TV Jangadeiro/SBT)

“A gente sempre acreditou nessa adesão. Mas nós precisávamos impactar para abrir os ohos da sociedade para o que está contecendo. isso nada mais é do que o reconhecimentos desses profissionais que estão presos inocentemente. A sociedade precisa refletir sobre o que ela realmente quer, qual a segurança pública que ela quer. Não estamos dizendo que as arbitrariedades devem ficar impunes. Queremos justiça no caso do Curió, mas que os verdadeiros culpados”, destacou Noélio.

Para o ex-candidato a prefeito Capitão Wagner, o Ministério Público e o Judiciário devem olhar com mais atenção os protestos dos amigos e familiares dos agentes.

“Queremos que o MPCE e o Judiciário entendam que esse manifesto não tem a intenção de evitar a prisão de quem realmente tem participação neste episódio. Quem realmente efetivou o crime deve ser punido, mas o grande questionamento que nós fazemos é que existem sim policiais presos sem nenhuma participação nesse delito. Caso algum deles tiver culpa, nós apoiamos que ele merece ser punido, mas não aceitamos inocentes presos”, afirma Wagner.

Para Medelaine Alves, esposa de um cabo da Polícia Militar preso sob acusação de participação no crime, a situação é crítica. “Meu marido estava de serviço no dia da chacina, prestando serviço ao Estado e, hoje, está hoje preso injustamente. Nós queremos justiça, queremos que os inocentes sejam soltos. Queremos realmente justiça e não que os inocentes sejam culpados. Eles não podem pagar por uma coisa que eles não fizeram”.

Audiência

O Colegiado de 1º Grau, instalado pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), realiza nesta sexta-feira (25) a terceira audiência sobre o caso da Chacina da Messejana. Para a sessão, que ocorre no 1º Salão do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, foram agendados os depoimentos de uma vítima sobrevivente e de 12 testemunhas arroladas pelo Ministério Público do Ceará (MP/CE).

Na ocasião, 13 testemunhas restantes arroladas pela acusação serão ouvidas pela Justiça. A primeira e a segunda audiências foram realizadas nos últimos dias 7 de outubro e 4 de novembro. Nelas, foram ouvidas cinco vítimas sobreviventes e um sobrevivente e oito testemunhas arroladas pelo MP/CE.

A chacina

A chacina é referente às mortes ocorridas em novembro do ano passado, na região da Grande Messejana, em Fortaleza. Ao todo, 11 pessoas foram assassinadas e outras sete foram vítimas de crimes distintos. A denúncia foi oferecida contra 44 policiais militares.

Os crimes que chocaram o estado aconteceram em um intervalo de três horas e meia. As suspeitas seriam que a chacina seria uma forma de resposta à morte de um policial militar do 16º Batalhão, assassinado durante uma tentativa de assalto no Bairro Lagoa Redonda.

Veja a lista das vítimas:

Curió
0h20min – Antônio Alisson Inácio Cardoso, 17 anos
0h20min – Jardel Lima dos Santos, 17 anos
1h20min – Alef Souza Cavalcante , 17 anos
1h20min – Renayson Girão da Silva, 17 anos
1h54min – Patricio João Pinho Leite, 16 anos
3h33min – Jandson Alexandre de Sousa, 19 anos
3h33min – Francisco Elenildo Pereira Chagas, 41 anos
3h33min – Valmir Ferreira da Conceição, 37 anos
3h57min – Pedro Alcantara Barroso do Nascimento, 18 anos

Messejana
3h57min – Marcelo da Silva Pereira, 17 anos
3h57min – Desconhecido do sexo masculino

Tribuna do Ceará