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Operação da PF revela a face de colecionador de Sérgio Cabral

RIO — Os retratos de Sérgio Cabral e de sua mulher Adriana Ancelmo, pintados pelo artista plástico pernambucano Romero Britto, são detalhes na coleção de obras de arte apreendida por policiais federais do Rio em dois imóveis do ex-governador, no Leblon e em Mangaratiba. Cabral foi retratado de terno, gravata vermelha e aparece sorrindo. As duas telas assinadas por Britto constam nos laudos de apreensão produzidos pela Polícia Federal a partir do cumprimento de mandados expedidos pela Justiça Federal que levaram o ex-governador à cela de um presídio em Bangu.

A PF investiga se a coleção foi adquirida com recursos ilícitos e por meio de laranjas. Em depoimento, duas vendedoras de joias de grandes grifes contaram que Sérgio Cabral e a mulher dele, Adriana Ancelmo, faziam pagamentos em dinheiro vivo. Sobre os quadros, o ex-governador disse aos investigadores em depoimento que parte foi comprada pela mulher e o restante ele ganhou de presente.

— Embora alguns quadros tenham certificados, o que eu posso dizer é que o material irá passar por perícia para verificar a autenticidade das obras. Em tese, a investigação vai determinar se as obras foram adquiridas como forma de lavar dinheiro — informou ao GLOBO o delegado Tácio Muzzi, da Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros (Delefin) da PF no Rio.

Ao todo, os policiais recolheram 28 obras, entre quadros, esculturas e fotografias. Há telas retratando o estadista britânico Winston Churchill, o francês François Mitterrand e o alemão Helmut Kohl. Também estão na coleção do casal esculturas no melhor estilo barroco. Os policiais encontraram ainda dois quadros grandes, com fotografias assinadas por Almir Reis, retratando praias e a orla carioca; e duas fotografias de Valter Firmo. O quadro considerado mais valioso é uma obra de Amilcar de Castro, medindo dois metros de altura por um metro e meio de largura.

O GLOBO