Ubajara Notícias

Candidato preso por fraude em Enem já sabia tema da redação, afirma PF

A PF não informou o nome do homem preso em Fortaleza, nem a cidade onde trabalha (FOTO: Polícia Federal)

Nesta segunda-feira (7), a delegada da Polícia Federal Fernanda Coutinho, coordenadora regional de segurança do Enem no Ceará, afirmou que o candidato preso em flagrante no último domingo (6), “já tinha tido acesso ao gabarito da prova e ao tema da redação antes mesmo do início das provas”, disse em entrevista ao UOL.

O homem, secretário de Saúde de Alto Santo, Antônio Diego Lima Rodrigues, de 34 anos, usava um ponto eletrônico, equipamentos eletrônicos preso ao corpo e tinha o texto pronto para ser descrito na prova de redação.

“Ele entrou no local de prova com o rascunho da redação feita no bolso da calça e com ponto eletrônico. Por volta das 11h, 11h30, ele recebeu uma mensagem no celular com o gabarito da prova”, explicou a delegada.

O suspeito, de 34 anos, foi encaminhado à sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Ceará, e informou em depoimento que é Secretário de Saúde de um município cearense. O preso responderá por crimes contra a fé pública, o patrimônio e a paz pública, dentre outros.

A Polícia Federal deflagrou no último domingo duas operações para desarticular quadrilhas que pretendiam fraudar o Enem: além da Embuste, a Jogo Limpo.

Nas redes sociais, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira e o Ministério da Educação se pronunciaram sobre os fatos. “O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) rechaça veementemente mais uma tentativa de tumultuar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016, que foi realizado com absoluto sucesso para 5,8 milhões dos 8,6 milhões de inscritos”, diz o início da nota.

Confira a nota do Inep na íntegra:

1- O tema da redação do Enem 2016, Caminhos para Combater a Intolerância Religiosa no Brasil, não é o mesmo de uma prova falsa divulgada às vésperas do Enem 2015, com o tema Intolerância Religiosa no Século XXI.

2- Abordar simplesmente o tema intolerância religiosa no século XXI não permite que o participante desenvolva uma proposta de intervenção na realidade, respeitando os direitos humanos, o que contraria os pressupostos metodológicos previstos no Edital do Enem.

3 – O gráfico que apoia o desenvolvimento da redação do Enem 2016 é baseado em um estudo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, de domínio público. O gráfico da prova falsa divulgada às vésperas do Enem 2015 é baseado no mesmo estudo, mas tem recorte diferente.

4 – Portanto, trata-se de uma coincidência de assuntos que não afeta o Enem 2016, por não se tratar de um vazamento.

5 – É importante ressaltar que todos os anos são veiculadas em diversas redes sociais provas de redação falsas com os mais variados temas de relevância social, que muitas vezes mantém uma relação com o que pode ser proposto em redações do Enem.

6 – A formulação do tema de redação do Enem é feita com a participação de professores de várias áreas do conhecimento que compõem o banco de elaboradores e revisores do Inep. Esses elaboradores e revisores são selecionados por meio de chamada pública nas instituições públicas de ensino. É realizado um evento com a presença desses colaboradores, quando são discutidos temas de ordem social, cultural, política ou científica, que propiciem propostas de intervenção social.

7 – Para a escolha dos temas de redação, são levantados, pela comissão de especialistas, diversos assuntos que remetem a questões sociais que merecem discussão mais ampla e conscientização da sociedade. Cabe ressaltar que a escolha desses temas não é motivada exclusivamente por propagandas ou notícias atuais.

8 – Na elaboração da prova de redação, são escolhidos alguns textos motivadores. Esses textos são, em sua maioria, retirados de sites de instituições governamentais. Procura-se obter dados oficiais que confirmem a questão abordada na proposta de redação. Os textos motivadores servem de apoio ao candidato para que reflita sobre o tema e possa dar o encaminhamento que julgar mais adequado dentro do tema proposto e respeitando os direitos humanos. Porém, eventualmente, textos motivadores para a proposta de redação podem ser obtidos em veículos de comunicação.

9 – Por fim, o Inep condena o uso de mentiras e falsas polêmicas com objetivos políticos e sem qualquer compromisso com a educação ou com os milhões de jovens que fizeram o Enem.

Tribuna do Ceará