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Mulher viaja 239 km, leva cartão de confirmação, mas é barrada no Enem

Mesmo com o cartão de confirmação, doméstica é impedida de fazer Enem no Piauí (Foto: Wenner Tito/G1)
Mesmo com o cartão de confirmação, doméstica é impedida de fazer Enem no Piauí (Foto: Wenner Tito/G1)

Francilene Araújo de Mesquita, 40 anos, voltou a estudar depois de 20 anos com o sonho de fazer o curso de enfermagem. Infelizmente, a dona de casa vai ter que esperar mais um tempo porque o seu nome não constava entre os aptos a fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na escola Zacarias de Gois, o Liceu Piauiense, em Teresina. Ela mostrou o seu cartão de confirmação em que consta o nome da unidade escolar como local de prova, mas mesmo assim foi impedida de fazer o teste.

Passei o ano todinho estudando para fazer uma prova e na hora ‘H’ a escola não pode fazer nada por mim. Estou fazendo um vestibular depois de 20 anos. Gente pobre é difícil conseguir estudar. Primeiro tive que criar os meus filhos, sou mãe separada, depois eu fui pensar em mim. Aí eles e se formaram e eu disse ‘agora é minha vez’. Mas não pôde ser minha vez. Dá raiva, isso que aconteceu”, disse Francilene.

Mesmo com o cartão de confirmação, doméstica é impedida de fazer Enem em Teresina (Foto: Wenner Tito/G1)
Mesmo com o cartão de confirmação, doméstica é impedida de fazer Enem em Teresina (Foto: Wenner Tito/G1)

A dona de casa viajou 239 km, saindo de Joaquim Pires, para vir fazer a prova em Teresina. Neste domingo (6), Francilene voltou ao Liceu Piauiense para acompanhar o filho, que também faz as provas do Enem.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou que os candidatos com o mesmo problema enfrentado por Francilene Araújo de Mesquita, munidos do cartão de confirmação, devem formalizar a reclamação através do canal de atendimento ao cidadão, pelo telefone 0800.616161. Segundo o instituto, todos os casos serão analisados pela equipe, que deve se posicionar ainda esta semana.

“Vim fazer a prova aqui em Teresina. Disseram que meu nome não estava aqui e eu não pude fazer a prova. Eu pedi para fazerem uma declaração de que eu apareci a escola, para comprovar isso e eu poder fazer a outra prova em dezembro. Disseram que não podiam me ajudar em nada. Perdi a prova e pronto”, contou.

Francilene Araújo, afirmou que vai registrar um boletim de ocorrência e que usará todos os recursos para fazer valer o seu direito de fazer as provas. A raiva e frustração é compartilhada pelo filho, Rayllan Bruno, 20 anos, que está fazendo o Enem no mesmo local onde a mãe está inscrita.

“Acho uma irresponsabilidade. A gente tem o cartão de confirmação, que confirma que a prova dela é na escola. A gente estudava junto, ela não é de fazer essas provas, decidiu esse ano fazer e desde que ela  decidiu fazer a inscrição dela, que começamos a estudar juntos. Infelizmente parece que não vai dar em nada”, desabafou.

G1 PI