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Professora relata preconceito de shopping contra alunos de escola pública

Hoje, 27/10/2016, fomos eu e mais quatro professores com um grupo de 120 alunos para uma sessão especial de cinema no Shopping Parangaba. Fomos bem recebidos pelos funcionários do cinema, o filme foi muito bom e os alunos amaram, muitos deles estavam tendo essa experiência pela primeira vez.

No entanto, quando o filme terminou, tínhamos uma hora para passear e merendar pelo shopping, que era o tempo que demoraria para o ônibus vir nos buscar. Mas, infelizmente, foi muito constrangedor o que passamos (e não digo isso por mim porque eu sei me defender, mas pelos meus alunos).

Logo que o filme terminou, uma segurança me abordou e disse que os clientes do shopping estavam incomodados com os alunos, que eu pedisse para que eles fizessem silêncio. Como assim? Incomodados? Parece piada, né? Olhei nos olhos dela e disse que eles eram tão clientes quanto aqueles poucos que estavam ali almoçando. Pensei que o problema estava resolvido, grande ilusão!

Combinamos o horário e lugar de encontro com os alunos e deixamos eles irem passear, mas quando os mesmos estavam descendo a escada rolante do 3° piso em direção ao 2° piso, foram abordados por uns 3 seguranças e uma bombeira dizendo que eles não poderiam circular pelo shopping . Não consigo descrever a raiva que senti ao ver os meus alunos todos fardados e identificados “presos” naquele cubículo do 2° piso simplesmente por serem alunos da escola pública, porque foi exatamente isso que aconteceu: PRECONCEITO!!! Pois haviam lá alunos com a farda do Farias Brito, do Teleyos, mas eles podiam circular livremente pelo shopping, mas os nossos alunos não. Indignei-me com aquela situação e fui lá com a coordenadora, perguntamos qual era problema, dissemos que eles iriam passear sim caso contrário iríamos chamar a polícia.

Os alunos passearam, merendaram, jogaram no Game Station, pois eles haviam se preparado financeiramente para aquele momento, mas, infelizmente, mesmo depois que conversamos com os seguranças e fizemos uma reclamação à administração do shopping, os alunos ainda sofreram constrangimentos por parte daqueles seguranças desalmados e mal treinados proibindo os meninos de usarem o elevador, tirar selfie. Um absurdo sem tamanho! Estou extremamente decepcionada com o treinamento que o shopping dá aos seus funcionários.

Para finalizar, quando estávamos indo embora, um aluno do 6° ano, uma criança de 11 anos de idade, olhou para mim e disse assim: – Tia, eu amei o cinema, eu nunca tinha vindo, amei o passeio; que pena que eles não gostaram muito da gente, né?! Vai ter outro, Tia?

Aquilo me doeu na alma. Olhei nos olhos dele, tão empolgados pela aquela nova experiência, e disse: – Nós não precisamos que eles gostem da gente! E, sim, vai ter outros sim! Eles vão ter que engolir o preconceito deles e nos aceitar! Vamos vir quantas vezes quisermos!

E um sorriso brotou naquele rosto tão inocente.

Francisco Djacyr Silva de Souza, professor

Outro lado

O Shopping Parangaba  esclarece que nenhum tipo de discriminação, de qualquer natureza, é tolerada dentro de suas dependências e tem uma postura clara de respeito a todos os seus clientes e lojistas.

O Shopping adota uma política de incentivo à inclusão social, firmando parceiras e promovendo ações que permitam o livre acesso ao lazer e à cultura dentro nas suas dependências.

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