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Estudantes prestam homenagem a jovem morta por PM em São José

Amigos e professores da estudante de direito morta pelo namorado PM fizeram uma homenagem à jovem na noite desta segunda-feira (24) na universidade em que ela estudava em São José dos Campos. Os estudantes lembraram a dedicação da colega e discutiram sobre as consequências de um relacionamento abusivo (Veja vídeo acima).

A jovem de 20 anos estava no quarto ano de direito foi morta durante uma festa pré-formatura pelo namorado com um tiro na cabeça. Segundo amigos que estavam com ela no local, eles haviam discutido por ciúme e logo depois ele cometeu o crime. Welington Landim, 24 anos, eram policial militar há dois anos. Ele se matou em seguida.

A estudante de direito Mariana Angélica, morta a tiros em festa universitária de São José dos Campos (Foto: Reprodução/Facebook)
A estudante de direito Mariana Angélica, morta a tiros(Foto: Reprodução/Facebook)

Na universidade em que a jovem estudava, os alunos comovidos ainda tentam entender o que aconteceu. Vários dos colegas de sala presenciaram o crime por também estar na festa.

Durante o intervalo nesta segunda (24), os amigos fizeram um quadro com mensagens para a jovem, penduraram fotos e prestaram uma homenagem. Os alunos ainda fizeram orações e um minuto de silêncio em memória da jovem.

Durante o ato, que foi fechado para a imprensa, uma das amigas, Jéssica Rodrigues, 21 anos, diz que o sonho dela de ser advogada foi frustrado, mas que vai fazer justiça a morte alertando outras mulheres.

“Para ela não era abusivo, para ela era bom. Ela não acreditava quando a gente falava. Fez boletim de ocorrência contra ele porque eu e o pai dela falamos na cabeça dela. A gente precisa conscientizar as mulheres que ciúmes possessivo é doença. Por favor, façam justiça pela morte da Mariana. Conscientizem outras mulheres”, disse Jéssica.

Outro amigo também lamentou a morte da jovem. “A superação desse trauma não será esquecimento. Dizer que nossas indignações com as injustiças aumentaram, não apenas por força da nossa vocação de operadores do direito. Dizer que sabemos que a vida é muito curta, mas que por isso mesmo não nos conformaremos com nada daquilo que tirou da nossa colega a oportunidade de ter vivido”, disse em discurso.

O policial ao lado da estudante de direito durante a festa em SP (Foto: Reprodução/TV Globo)
O policial ao lado da estudante de direito durante a festa em SP (Foto: Reprodução/TV Globo)

Mariana e Welington haviam terminado o namoro em fevereiro deste ano, depois de traições. À época ele fez ameaças a jovem dizendo que iria ‘dar uns tiros nela’. A jovem registrou boletim de ocorrência e chegou a ter expedida uma medida protetiva que exigia que Welington mantivesse 300 metros de distância da jovem. Eles reataram meses depois.

O professor Luiz Carlos Aquino comentou sobre os estudos sobre feminicídio na universidade e lamentou não ter conseguido mostrar para a jovem o perigo do relacionamento. “Isso não é natural, é um fenômeno de violência social. Eu me sinto frustrado por estar discutindo isso aqui na faculdade e, mesmo assim, não ter conseguido evitar que isso acontecesse com uma das alunas. Mariana estava com sinal vermelho, mas a gente não conseguiu perceber. Precisamos difundir essa discussão para evitar que isso aconteça de novo amanhã”, disse.

Ciúmes
Uma amiga da vítima afirma que o relacionamento da jovem com Welington Landim, autor do crime, era marcado por ciúmes. Jéssica Rodrigues, que estudava com Mariana,  conta que amigos apartaram duas brigas entre o casal na festa antes do crime. “Ele era doente por ela, tinha necessidade de estar com ela. Ele falava repetidas vezes que não imagina a vida dele sem ela”.

Ela conta que Welington e Mariana estavam juntos, mas que o relacionamento não era assumido, porque a família da jovem não aceitava a relação depois de perceber o comportamento estranho do rapaz com a moça.

“A gente alertava, mas eu não conseguia ver a relação como abusiva. Era um ciúme doentio, uma possessão. Mas ela o entendia pelos problemas psicológicos que ele tinha. A gente não imaginava esse fim”, lamenta.

G1