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Livro esmiúça detalhes da morte de Celso Daniel

Capa do livro “Celso Daniel — política, corrupção e morte no coração do PT”, de Silvio Navarro – Reprodução

SÃO PAULO – Dionísio de Aquino Severo deveria ficar apenas meia hora numa conversa com o advogado, em abril de 2002. Num procedimento incomum, o encontro no parlatório de um presídio em São Paulo durou três horas. E só terminou quando outros presos invadiram o local e o mataram com facadas no coração. Dionísio era apontado como um dos que poderiam revelar as reais motivações do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Assim como outros fatos intrigantes que envolvem a morte do petista, o episódio é narrado em detalhes no livro “Celso Daniel — política, corrupção e morte no coração do PT”.

Ao longo de quatro anos, o jornalista Silvio Navarro analisou 20 mil páginas de processos e tentou construir um mosaico a partir das investigações da polícia, do Ministério Público (MP) e da CPI dos Bingos sobre o crime que há quase 15 anos mexe com o imaginário popular e o mundo político.

A obra narra as articulações da quadrilha que praticou o assassinato de Daniel, numa estradinha em Juquitiba, e rememora as mortes de outras seis pessoas ligadas ao caso. Dionísio, entre elas. Também são detalhadas informações sobre o esquema de corrupção na prefeitura de Santo André.

O jornalista defende a tese de que o PT usou a cidade como laboratório para o método ilegal de arrecadação de recursos que seria replicado em escala nacional, a partir de 2003. Daniel teria sido morto porque ordenou aos responsáveis por arrecadar propina que deixassem de desviar para os próprios bolsos parte da quantia cobrada de empresários que tinham negócios com a prefeitura. O valor desviado teria como destino o caixa dois do PT.

Apesar do esforço investigativo, o autor não avançou na conclusão sobre as motivações do crime. “A prova cabal sobre quem ordenou o crime, e sobre se tal ordem partiu da cúpula do PT, nunca foi encontrada no aspecto técnico”, conclui.

Navarro crê que qualquer revelação ficará ainda mais difícil porque Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, amigo e ex-segurança do prefeito e apontado pelo MP como mandante do crime, morreu de câncer, em setembro.

— É o único cara que poderia, em algum momento, abrir o jogo — lamenta.

Globo