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Temer soube da prisão de Cunha a bordo do avião, diz porta-voz

O presidente da República, Michel Temer, ao desembarcar em Brasília após viagem à Ásia (Foto: Presidência da República)
O presidente da República, Michel Temer, ao desembarcar em Brasília após viagem à Ásia (Foto: Presidência da República)

O porta-voz Alexandre Parola afirmou nesta quinta-feira (20) que o retorno antecipado do presidente Michel Temer ao Brasil – após viagens oficiais à Índia e ao Japão – não foi motivado pela prisão do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara.

Segundo o porta-voz, o avião do presidente já tinha decolado quando ele tomou conhecimento da prisão de Cunha.

“O presidente tomou conhecimento da prisão preventiva do ex-deputado Eduardo Cunhaquando já estava em voo de regresso ao Brasil. A decisão de antecipar o regresso foi tomada na noite anterior. A operação Lava Jato é da alçada da Justiça. O Executivo jamais interferirá nas suas decisões”, declarou Parola.

De acordo com Parola, a não interferência do Executivo é “sinal de amadurecimento democrático. Segundo ele, a “agenda política de recuperação e reconstrução do Brasil não se confunde com as investigações levadas adiante pela Justiça”.

Questionado pelos jornalistas, o porta-voz não respondeu sobre quais efeitos uma possível delação de Cunha poderia ter no governo Temer.

O presidente chegou a Brasília às 11h30 desta quinta-feira. A volta da comitiva brasileira estava marcada para as 10h da quinta, no horário local do Japão (23h de quarta pelo horário brasileiro), de acordo com o informado pela Presidência e pelo Ministério das Relações Exteriores. Mas foi antecipada em 11 horas e meia, para as 22h30 desta quarta (11h30 pelo horário brasileiro). O avião fez uma parada para reabastecimento e troca de pilotos em Seattle, nos Estados Unidos.

Temer passou os primeiros dias desta semana em Tóquio, no Japão, onde participou de uma série de encontros com empresários e autoridades. Antes, participou na Índia da Cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ao todo, a viagem durou seis dias.

Ao chegar a Brasília, acompanhado da mulher, Marcela Temer, que integrou a comitiva presidencial, Temer seguiu para o Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, onde continua morando.

Ele foi ao Palácio do Planalto ainda nesta quinta à tarde, onde se reuniu com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, apesar de não ter compromissos oficiais agendados.

Taxa de juros
Parola disse que o presidente recebeu com “satisfação” a decisão do Banco Central em reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14% ao ano, corte de 0,25 ponto percentual.

Parola ressaltou que a decisão teve natureza técnica e é um sinal positivo para a economia brasileira. Ele ainda disse que a medida fortalece o “momento macroeconômico e reforça a expectativa de recuperação da economia, o que permitirá a retomada do crescimento econômico e a criação de empregos”.

“A decisão aponta também para a importância de avançar de forma decidida na agenda de ajustes defendida pelo governo brasileiro com o apoio fundamental do Congresso Nacional”, disse Parola.

A redução, a primeira da taxa Selic em quatro anos, foi anunciada pelo Banco Central no início da noite desta quarta.

O corte dos juros já era esperado pelo mercado. Analistas, porém, estavam divididos quanto à intensidade: redução de 0,25 ou de 0,5 ponto percentual. Economistas avaliam que a decisão pode ajudar a economia brasileira, em crise, a se recuperar.

Em comunicado, o Banco Central informou entender que a convergência da inflação para a meta central de 4,5%, fixada para 2017 e 2018, é compatível com uma política de corte de juros “moderada e gradual”.

G1