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Advogados suspensos são novamente investigados

Em 15 de junho do ano passado, equipes da Polícia Federal foram ao Tribunal de Justiça cumprir mandados de busca e apreensão ( Foto: Natinho Rodrigues )

 

Dos 14 advogados alvos da segunda fase da Operação Expresso 150, da Polícia Federal (PF), quatro já haviam sido suspensos pela Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-CE) neste ano, em decorrência exatamente das apurações da primeira fase dos trabalhos que investigam a negociação de liminares nos plantões do Judiciário.

Mauro Júnior Rios, Michel Sampaio Coutinho, Marcos Paulo de Oliveira Sá e Fernando Carlos Oliveira Feitosa ficaram 90 dias suspensos, sem poder exercer a profissão. Eles retornaram às atividades no começo deste mês de setembro.

A Justiça Federal no Ceará divulgou ontem as decisões do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, relator do caso. No documento, constam os nomes ainda dos advogados Jessica Simão Albuquerque Melo, Carlos Eduardo Miranda de Melo, Eduardo Sérgio Carlos Castelo, Éverton de Oliveira Barbosa, João Paulo Bezerra Albuquerque, Emília Maria Castelo Lira, Adailton Freire Campelo, Eresmar de Oliveira Filho, Liliane Gonçalves Matos e Emanuela Maria Leite Bezerra Campelo. A reportagem tentou contato com eles mas, até o fechamento desta edição, os números discados estavam “fora de área ou desligados” ou “não recebendo ligações”.

A segunda fase da operação, deflagrada ontem, é um desdobramento de ação promovida em junho do ano passado. Naquela ocasião, o desembargador Carlos Rodrigues Feitosa, que é pai do advogado Fernando Carlos de Oliveira Feitosa, foi afastado do cargo por determinação do ministro Herman Benjamin.

Na madrugada de 15 de junho, as equipes da PF cumpriram 22 mandados de busca e apreensão e condução coercitiva. Da mesma forma como ontem, o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) e as residências das pessoas que deveriam ser ouvidas foram visitadas pelos policiais federais.

A existência de um suposto esquema de vendas de habeas corpus durante os plantões de fim de semana havia sido denunciado pelo jornal ainda em 2013. Contudo, em abril de 2014, o então presidente do TJCE, desembargador Luíz Gerardo de Pontes Brígido, afirmou em entrevista à TV Diário que havia descoberto uma “rede organizada atuando com a finalidade de obter a soltura de criminosos, no Judiciário cearense”.

Quando tornou o escândalo público, Brígido declarou que cada sentença expedida nos fins de semana e feriados chegava a ser negociada por valores próximos a R$ 150 mil.

Liberados

Somente em um fim de semana de 2013, por exemplo, em que Carlos Feitosa era o desembargador plantonista, seis criminosos tidos como de alta periculosidade pela Polícia foram liberados. Entre eles, um traficante internacional de drogas. Um dos traficantes acabou morto em 2015.

Uma advogada cearense, cujo nome aparecia em uma das liminares suspeitas investigadas, e que depôs ainda em 2014 na Polícia Federal, revelando detalhes da teia criminosa que comprava e vendia as liberações, cometeu suicídio em maio do ano passado, na Capital.

Diário do Nordeste