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Polícia Civil do Ceará deflagra greve após assembleia geral

A Polícia Civil do Estado do Ceará deflagrou estado de greve na manhã de ontem, em assembleia geral realizada pela categoria na Praça dos Voluntários, no Centro de Fortaleza. De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Ceará (Sinpol-CE), o Governo do Estado seria notificado ainda ontem sobre a decisão e os policiais, com exceção dos delegados, cruzarão os braços 72 horas depois da formalização do movimento.

Cerca de 500 policiais, de todas as regiões do Estado, estiveram presentes no ato, que começou às 9h. Vários líderes sindicais e policiais discursaram e defenderam a greve e as reivindicações da categoria, sendo aplaudidos pelos colegas de profissão. A votação foi iniciada perto de 12h e a decisão sobre a deflagração da greve foi unânime.

“Há uma insatisfação enorme dos policiais civis. Eu peço desculpas à sociedade cearense, em nome dos policiais. A gente tentou de toda forma não deflagrar, porque a gente sabe o prejuízo que traz à sociedade, mas não restou outra alternativa”, afirmou o presidente do Sinpol-CE, Francisco Lucas de Oliveira.

“A gente quer o reconhecimento do nosso nível superior em termo salarial. O Governo prometeu diminuir o fosso entre o delegado e os outros policiais. Inspetor e escrivão no Ceará têm uns dos piores salários do Brasil”, reivindicou o inspetor da Delegacia Regional de Russas, Leonardo Fontenele, um dos policiais que saiu em caravana do Interior para a Capital.

Além do reajuste salarial, a categoria reivindica o aumento do efetivo da Polícia Civil do Ceará, que hoje é de cerca de 2.600 homens; e a proibição de desvios de função. No último ponto, escrivães e inspetores afirmam que o “mais revoltante” é ter que realizar a custódia de presos.

Diante da deflagração da greve dos policiais civis, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) manteve o discurso de que o diálogo entre o Estado e a categoria permanece aberto. Em nota enviada ontem para a reportagem, a Secretaria afirmou que “as solicitações dos profissionais estão sendo analisadas em conjunto com outras pastas do Governo”.

Paralisação

Ontem, a categoria paralisou as atividades por um período de 24 horas. O movimento nacional foi convocado pela Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol). Em todo o Estado, somente quatro delegacias atenderam em regime de plantão. O 7º DP (Pirambu) e a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) concentraram todos os registros de Boletins de Ocorrência (B.Os) e os flagrantes da Capital e da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). No Interior, os serviços ficaram por conta das Delegacias Regionais de Camocim, na Região Norte, e de Brejo Santo, na Região Sul.

A reportagem percorreu algumas delegacias de Fortaleza no dia de ontem. O 2º DP (Aldeota), que funciona em regime de 24h, estava aberto, mas não atendeu a população. No 3º DP (Otávio Bonfim), apenas alguns funcionários e o delegado Domingos Diógenes foram à unidade.

Já no 7º DP (Pirambu), uma das delegacias que estavam funcionando normalmente, a movimentação estava mais intensa.

José Nilo da Costa, 52, teve uma moto roubada na noite de terça (20), no bairro Parquelândia, e fez o mesmo roteiro da reportagem no dia de ontem. “Procurei a delegacia do 2º e do 3º, mas disseram que só quem estava fazendo o B.O. Era o 7º aqui no Pirambu. Ainda estou esperando, porque o rapaz pediu para eu ter paciência. Eu moro no Papicu e tive que vir até aqui”, relatou.

Tatiane Ferreira, 36, mora na Caucaia e tentou registrar um B.O no 10º DP (Antônio Bezerra), mas acabou sendo encaminhada ao 7º DP.

A SSPDS-CE afirmou, em nota, que os policiais civis têm “a obrigação legal de manter, pelo menos, 30% do efetivo atendendo as demandas da população”.

Diário do Nordeste