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Sindicato alega ‘perseguições’

Os agentes penitenciários receberam com surpresa a denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), segundo o presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores do Sistema Penitenciário do Ceará (Sindasp-CE), Valdemiro Barbosa. Ele afirma que a categoria sofre perseguição por parte do Governo, que estaria pensando em privatizar as unidades penitenciárias.

“Existe uma movimentação para terceirizar a atividade de agente penitenciário, o que não pode acontecer porque é uma atividade do Estado. Há um lobby, interesses por trás disso. Vários outros Estados aceitaram a terceirização, porque é lucrativa. Querem mercantilizar o presídio e cobrar por preso. Para convencer a sociedade, estão colocando na cabeça das pessoas que os agentes não têm capacidade de gerir o sistema”, declarou.

O representante da categoria disse que alguns pontos ressaltados pelo MPCE não dependem dos agentes. “Algumas questões são deficiências do Estado, a exemplo do abastecimento de água nas penitenciárias. Há muito tempo são abastecidas por carros-pipa e considerar que os agentes cortaram isso é um absurdo. Se existe um responsável pelo que aconteceu no Ceará é a gestão da Sejus”.

Barbosa disse que não tem conhecimento dos vídeos com comemorações dos agentes a respeito dos resultados das rebeliões, nem sobre conversas no aplicativo WhatsApp citadas pelo Ministério Público. Ele corroborou o que disse à época das rebeliões e declarou que os agentes não impediram as visitas para causar tumulto. O presidente do Sindasp contrariou também a versão que os agentes facilitaram a soltura dos presos dentro das penitenciárias.

“Quem autorizou que os presos ficassem soltos foi o secretário de Justiça. Quando ele anunciou a Lei dos bloqueadores todas as unidades da Região Metropolitana foram depredadas, duas completamente e as outras parcialmente. Não existe essa questão de facilitação de agentes nem para soltar presos, nem para entrada de celulares”.

A advogada da entidade, Ninon Tauchmann, disse que hoje irá reunir todas os documentos para analisar o que cabe na defesa dos agentes. “Vínhamos há meses comunicando ao secretário que a segurança nas unidades estava de mal a pior. A qualquer momento poderia haver um levante lá dentro. Os agentes são seres humanos, têm famílias, filhos. Ninguém pode obrigar um servidor público a trabalhar sem as mínimas condições de segurança. Vou receber o procedimento investigativo criminal na íntegra para ver o que cabe na defesa de todos os agentes, porque a categoria toda foi atingida por essas imputações”, afirmou Ninon.

Diário do Nordeste