Ubajara Notícias

Rival de Cyborg, Lina Lansberg revela gosto por sangue e por soco na cara

Cris Cyborg, Lina Lansberg, UFC Brasília, MMA (Foto: Bruno Miani/Inovafoto)

Entrar num octógono para lutar contra a devastadora força da natureza conhecida como Cris Cyborg exige um nível de confiança que poucos seres humanos têm. Um pouco de loucura também ajuda. A sueca Lina Lansberg possui um pouco das duas características. Contratada para enfrentar a temida lutadora brasileira no evento principal do UFC Brasília, no próximo sábado, a lutadora de 34 anos de idade está confiante que pode chocar o mundo e derrotar a campeã peso-pena do Invicta FC no Ginásio Nilson Nelson. Ela também foge dos padrões por seu gosto por luta. Não é que ela simplesmente se interesse por aplicar técnicas de combate; Lansberg gosta de bater e de apanhar também.

Praticante do muay thai desde 2005, a sueca foi campeã mundial em 2012, ano em que venceu tudo o que disputou. Ela fez a transição para o MMA em seguida, motivada pelo uso de luvas mais finas, que permitiriam a ela mais facilidade para encaixar suas cotoveladas, e…

– Também para socar com elas e ser socada com elas. É mais natural, mais humano ser socada com essas luvas, não com as luvas grandes. Adoro isso – declarou Lansberg em entrevista por telefone ao Combate.com.

É isso mesmo? Ela disse que gosta de levar socos na cara? Sim. Na luta, obviamente.

– (Risos) É claro que gosto de socar os outros, mas é algo especial poder socar alguém com elas. É especial, você precisa experimentar se não tiver feito isso antes. É uma sensação – garante.

E não para por aí. Lina Lansberg também gosta muito de sangue. Não de derramar o próprio, e especialmente não na vida normal que leva fora da academia, em Malmo, na Suécia, onde atende crianças autistas. Dentro do octógono, porém, ela se transforma numa vampira que usa os punhos e cotovelos para extrair o combustível vital do corpo humano.

– Não sei, fora do octógono eu não gosto nada do sangue, mas dentro… Eu até mudo a cor das minhas unhas para a mesma cor do sangue, pois gosto muito quando o sangue das minhas oponentes cai na minha perna e combina com a unha (do pé). Não sei por que, mas gosto disso! (risos). Eu não gosto quando cai no meu olho ou na boca, é meio nojento – explica.

A arma favorita de Lansberg é a cotovelada, o que lhe rendeu o apelido de “Princesa da Cotovelada” – atualizado para “Rainha da Cotovelada” pela própria com o avançar da idade e da carreira. Com elas, venceu mais de 80 lutas de muay thai e conquistou tudo na modalidade. No MMA, tem seis vitórias (quatro delas por nocaute técnico) e uma derrota, mas a sueca acredita que foi seu desempenho na arte marcial tailandesa que atraiu o UFC a contratá-la para enfrentar Cyborg, que também tem suas origens na disciplina.

– Eles têm muitas lutadoras que têm 10 lutas de MMA, mais que eu, mas não têm tantas lutadoras com experiência em outras lutas. Eles têm a Valentina Shevchenko e Holly Holm, mas a Valentina é muito pequena, era de uma categoria mais leve no muay thai. A Holly, acredito que pensaram nela, mas ela perdeu para a Valentina, então não era tão interessante para eles. Eles precisam de alguém com um background maior, acostumada a lutar em pé, então por isso que me chamaram – analisa.

Ainda assim, como a maior parte do público, Lansberg ficou surpresa em ser chamada para enfrentar Cris Cyborg, uma lenda do MMA feminino que sempre admirou, logo na sua estreia no UFC, e num evento principal. A sueca fez toda sua carreira no peso-galo (até 61,2kg), apesar de ter feito uma luta no peso-pena (até 65,8kg), categoria da lutadora brasileira, para acomodar uma oponente que, como Cyborg, não conseguia descer até sua categoria. Ela venceu aquele combate, e acredita que, mesmo com o peso-casado de 63,5kg, o corte pode ser muito desgastante para sua adversária.

– É duro treinar quando se está numa dieta pesada, e é muito duro perder tanto peso. Fiz isso já, sei como é. Talvez ela se canse, são cinco rounds. Mas não espero isso, quero que ela esteja o mais saudável possível, como sempre. Espero que ela corte o peso bem. Também pela saúde dela, espero que se sinta bem para lutar – declarou.

A ousadia de entrar no octógono do lado oposto de uma das lutadoras mais dominantes do mundo, Lina já deixou claro que tem. A confiança na “zebra” que derrubaria Cyborg no MMA pela primeira vez desde 2005 também está presente.

– Ela pode esperar que estarei lá dentro sem nada a perder. Vai ser muito pior para ela mentalmente do que para mim. E vou surpreendê-la. Ela teve tantas lutas duras, mas também teve muitas lutas com oponentes que não chegam perto do seu nível, e ela sabe que eu estou nesse nível. Vai ser difícil pra ela fazer wrestling comigo e também para me pegar – concluiu.

O Combate transmite o UFC Brasília ao vivo no próximo sábado. Confira o card completo:

UFC Brasília
24 de setembro, em Brasília (DF)
CARD PRINCIPAL:
Peso-casado (até 63,5kg): Cris Cyborg x Lina Lansberg
Peso-pena: Renan Barão x Phillipe Nover
Peso-pesado: Antônio Pezão x Roy Nelson
Peso-leve: Francisco Massaranduba x Paul Felder
Peso-médio: Thiago Marreta x Eric Spicely
Peso-pena: Godofredo Pepey x Mike de La Torre
CARD PRELIMINAR:
Peso-leve: Michel Trator x Gilbert Durinho
Peso-galo: Rani Yahya x Michinori Tanaka
Peso-galo: Jussier Formiga x Dustin Ortiz
Peso-meio-médio: Erick Silva x Luan Chagas
Peso-leve: Alan Nuguette x Steven Ray
Peso-meio-médio: Vicente Luque x Hector Urbina
Peso-leve: Glaico França x Gregor Gillespie