Ubajara Notícias

Comerciante relata ação violenta da GMF na Praça dos Leões

Proprietário há 18 anos do restaurante Lions, no Centro, o comerciante Eufrásio da Silva, 75, ainda ontem se dizia “surpreso e incomodado” com a atuação da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), durante intervenção nas cercanias do estabelecimento, na madrugada de sábado.

 

Enquanto atendia clientes das mesas sobre o calçadão da Praça dos Leões, Eufrásio testemunhou a repressão feita pelos agentes que classificou como “desproporcional” e “desnecessária”.

 

“Você não pode chegar dando tiros a esmo, em direção a uma multidão. Apontar uma arma para ferir alguém daquela forma. As pessoas não devem temer a Polícia ou a Guarda. Elas deveriam proteger os cidadãos”, desabafa.

 

Ele conta que o tumulto teve início após uma briga envolvendo uma mulher e um taxista, que se recusou a ligar o taxímetro, na tentativa de fixar preço pela corrida. A mulher então teria chamado um veículo da Uber, revoltando o taxista.

 

“Ela começou a filmar o taxista e ele quebrou o celular dela. Eles brigaram e ele deu uma garrafada na cabeça dela. As pessoas ficaram revoltadas. A PM chegou e o colocou dentro do táxi. As pessoas começaram a arremessar pedras no carro, atingindo um policial, que pediu reforço”, contou. O comerciante detalhou ainda que o taxista teria sido liberado enquanto a mulher ainda estava desorientada no chão.

 

Logo em seguida, a GMF chegou, usando balas de borracha e bombas de efeito moral. “A festa acabou! Vão embora”, diz um dos guardas, em vídeo compartilhado nas redes sociais, causando revolta entre as pessoas na festa.

 

“Algumas pessoas se abrigaram no restaurante, que já estava com parte das portas fechadas. Eles ameaçaram me prender caso eu não botasse as pessoas para fora. Mas eu dizia que não podia expulsar ninguém. Que todos estavam amedrontados”, justificou, mencionando que pelo menos dois clientes sofreram chutes pelos guardas.

 

O POVO procurou a GMF. Por meio da assessoria, o Órgão informou que “foi determinada rigorosa apuração sobre os eventos”. Já a assessoria da SSPDS reiterou que eventuais abusos devem ser comunicados à Controladoria Geral de Disciplina (CGD) e que detalhes sobre as ocorrências deverão ser divulgados somente na manhã de hoje, pela Polícia Civil.