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Vegetação amazônica resiste na região mais árida do Brasil – Serra da Ibiapaba

Brejos, matas úmidas, tudo no topo da Serra de Ubajara, no Ceará. Mas como isso aconteceu numa terra tão seca?

“Milhões de anos atrás, a mata amazônica expandiu, a Mata Atlântica também, e ficou ali. O que aconteceu? Depois que mudou o clima, ficou mais quente, elas retraíram. Então ficaram essas partes de mata úmida, ficaram ilhadas nessas serras que a gente chama de brejos de altitude. Por isso que tem uma vegetação, tem uma fauna tão diferente do entorno, que é a caatinga”, explica a bióloga da UFCE Diva Borges-Nojosa.

Isso explica porque espécies da floresta amazônica são encontradas no Ceará. Um sapinho é um desses animais que ficaram na Serra de Ubajara antes de as florestas se separarem. “Ele acaba trazendo essa informação para gente, de que, no passado, a mata amazônica já foi junto com a Mata Atlântica no Nordeste”, diz a bióloga.

A professora Diva e seu aluno Thiago colocam armadilhas no meio do Parque Nacional de Ubajara para recolher amostras do DNA das espécies encontradas na região. A pesquisa que se faz hoje prende os animais só por alguns minutos e o corte é sem dor.

“A gente captura, olha, fotografa, tira mostra de material biológico e pode depois soltar o animal”, afirma a bióloga.

Às vezes, espécies de mamíferos caem nas armadilhas. Lagartos de vários tipos também são encontrados. Pequenos animais que também ajudam a contar a história do planeta.

Globo Repórter