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Nordeste diferente tem clima frio, muita água e cenários inacreditáveis

Mata Atlântica, mata úmida, ilha de frio, cercada pelo calor do sertão. Quando se fala em Nordeste, a primeira ideia é o litoral ou uma região muito seca. Mas há um outro Nordeste, de clima úmido, que faz fronteira com a seca da caatinga. Uma sucessão de cenários inacreditáveis. Uma terra que foi habitada por povos indígenas, muito antes dos conquistadores europeus se apaixonarem pelas belezas e pelas riquezas da região.

Serra Grande ou Serra da Ibiapaba. Na língua tupi-guarani, significa Serra Talhada, por causa das rochas que cortam a montanha, um lugar que também é conhecido como Chapada de Ibiapaba. No Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, a área do parque era de 563 hectares, mas em 2002 foi ampliada para 6.288 hectares. Foi ampliada, mas está longe de ser regularizada e os antigos moradores, sem indenização pelas terras, continuam fazendo do parque a sua casa, o seu quintal.

Lá não tem energia elétrica. O almoço é no fogão a lenha. A luz natural clareia a casa. Não tem geladeira e toda a comida que é feita dura, no máximo, três dias.

A Chapada da Ibiapaba fica a pouco mais de quatro horas de viagem de Fortaleza, mas na escala do tempo da Terra, ela nos leva muito mais longe, a um tempo bem distante. Quando as montanhas da região ainda eram cobertas de neve, começou uma história que nos ensina parte do que somos hoje.

“Muito difícil de imaginar que há dez mil anos aqui, na era glacial, nós tínhamos temperaturas de menos de dez graus nessa região. Nós temos a gruta do urso fóssil. Lá foi encontrado o crânio fossilizado de um urso, que hoje só tem na Cordilheira dos Andes esse exemplar, de animal parecido com ele”, explica o técnico ambiental Sebastião Gomes Soares.

A presença de um guia é fundamental. Apesar de ser um parque nacional, ainda faltam recursos para sinalização e cercas de proteção.

Outro lugar muito especial são os Paredões de Janeiro. O lugar serve de passagem desde o tempo em que tribos indígenas se escondiam do invasor europeu. Às vezes, com a cachoeira sobre a cabeça, um lugar perigoso para se esconder.

O gestor do parque conta que a parceria com os moradores é necessária nesse momento de transição.

“Enquanto a área não for desapropriada, enquanto o governo não desapropriar e a gente tiver o domínio da terra, a gente tem que fazer parceria com os proprietários, com os moradores, para que eles produzam e também nos ajude a proteger essa riqueza”, diz Gilson Luiz Souto Mota, chefe do Parque Nacional de Ubajara.

Nordeste diferente tem clima frio, muita água (Grep) (Foto: Globo Repórter)
Nordeste diferente tem clima frio e muita água

Globo Repórter