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Cassado, Cunha iniciou carreira no governo Collor; relembre trajetória

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Cassado nesta segunda-feira (12) pelo plenário da Câmara, por 450 votos a 10, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), começou sua vida pública no governo Fernando Collor, quando presidiu a Telerj e foi alvo da primeira suspeita, de fraude em licitações.

Concentrou sua carreira política no Rio de Janeiro até chegar à Câmara dos Deputados, onde ganhou seguidores e tornou-se um dos políticos mais influentes do país. Ex-presidente da Casa,renunciou ao cargo em julho, após ser afastado do mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Cunha foi cassado por quebra de decoro parlamentar, após enfrentar o mais longo processo no Conselho de Ética na Câmara. Ele é acusado de manter contas secretas no exterior e de mentir sobre a existência delas em depoimento à CPI da Petrobras, no ano passado.

Ele nega ser dono de contas bancárias fora do país e argumenta ter apenas o usufruto de bens geridos por trustes (empresas jurídicas que administram fundos e bens).

Além disso, é atualmente réu em uma ação da Lava Jato por supostamente ter exigido e recebido ao menos US$ 5 milhões em propina de um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras. É réu em outra ação sob acusação de ter dinheiro em contas secretas na Suíça.

Também é investigado em mais três inquéritos no STF e alvo de outros três pedidos de investigação.

Cunha foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2002 e se reelegeu em 2006, 2010 e 2014 – ano em que foi o terceiro deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com mais de 232,7 mil votos.

Carreira
Veja a seguir os principais acontecimentos da trajetória política de Cunha:

1980 – Forma-se em economia pela Universidade Cândido Mendes.

1982 – Trabalha na campanha de Eliseu Resende (PDS) ao governo de Minas Gerais.

1986 – Atua na campanha de Moreira Franco (PMDB) ao governo do Rio.

1989 – É convidado pelo empresário Paulo César Farias para se filiar ao PRN e trabalhar na campanha de Fernando Collor de Mello à Presidência, onde acabou atuando como tesoureiro no Rio.

1991 – É nomeado por Collor para comandar a Telerj, empresa de telecomunicações do RJ, época em que conhece Claudia Cruz, com quem se casa. Ele se autodenomina o responsável pela implantação da telefonia celular no Brasil.

1992 – O TCU (Tribunal de Contas da União) constata irregularidades na companhia, cuja comissão de licitação havia sido vinculada ao gabinete de Cunha.

1993 – É exonerado da Telerj após a descoberta de um esquema de corrupção na estatal vinculado a PC Farias, que culminou no impeachment de Collor. Ele nega fazer parte do esquema.

1994 – Trabalha como corretor de seguros e auditor e filia-se ao PPB, atual PP, após sua aproximação com o ex-ministro da Fazenda Francisco Dornelles.

1995 – Trabalha na rádio gospel Melodia FM, do empresário Francisco Silva, seu padrinho político. Na rádio, lançaria seu bordão de campanhas eleitorais: “Afinal de contas, o nosso povo merece respeito.”

1996 – Torna-se réu junto a outras 41 pessoas no esquema PC Farias. A ação foi trancada pelo TRF.

1998 – Lança-se candidato pela primeira vez, concorrendo a deputado estadual pelo RJ. Com 15 mil votos, obteve a suplência.

1999 – Francisco Silva é nomeado pelo então governador Anthony Garotinho como secretário de Habitação e indica Cunha para subsecretário. Mais tarde, a secretaria passaria a ser a Companhia Estadual de Habitação (Cehab), tendo Cunha como presidente.

2000 – Cunha é afastado da companhia por suspeita de contratos sem licitação e favorecimento de empresas fantasmas, envolvendo a construtora Grande Piso. Ele nega todas as acusações. O caso foi arquivado.

2001 – Deixa a suplência e assume o cargo de deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Produz o programa apresentado por Garotinho na rádio Melodia.

2002 – Lança sua candidatura a deputado federal com apoio de Garotinho, sendo eleito com 101.495 votos. No ano seguinte, troca o PP pelo PMDB.

2006 – É reeleito deputado federal com 130.773 votos.

2007 – Cunha é relator da prorrogação da CMPF na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, que é aprovada.

2008 – Cunha é eleito presidente da CCJ, como parte de um acordo entre lideranças. O PMDB ficaria também com outras duas comissões.

2010 – Reeleito com 150.616 votos, apresenta projeto para criminalizar o preconceito contra os heterossexuais. Durante a campanha de Dilma Rousseff à presidência, trabalha como aliado da petista entre os evangélicos.

2011 – O PMDB perde espaço ministerial no mandato de Dilma, e Cunha faz ameaças ao governo, como assinar a CPI da Corrupção e dificultar a aprovação da desvinculação de receitas da União (DRU).

2013 – É novamente eleito deputado com 232.708 votos, o terceiro mais votado do Rio. Naquele ano, dificulta algumas das votações consideradas importantes pelo governo, como a do Marco Civil da Internet, a MP dos Portos e dos Mais Médicos.

Mar/2013 – Cunha é eleito líder do PMDB na Câmara graças ao seu poder de adiar e acelerar votações na Casa, o que lhe traz apoio e votos. O Supremo Tribunal Federal abre ação penal contra Cunha, acusado de usar documentos falsos para tentar arquivar uma investigação contra ele no Tribunal de Contas no Rio.

2014 – Após a reeleição de Dilma, o PMDB aprova a manutenção da aliança com o PT, mas a ala dissidente reclama da falta de apoio e de real poder de comando. Cunha é reeleito líder do PMDB na Câmara.

2014 – Cunha foi um dos principais articuladores do chamado “blocão”, grupo informal de oito partidos criado para pressionar o governo federal em votações na Câmara. Nesse ano, o grupo exige mais cargos para aliados.

ago/2014 – Cunha é absolvido da acusação de uso de documentos falsos.

2015 – Cunha é eleito presidente da Câmara dos Deputados com 267 votos, contra a vontade de Dilma de eleger o petista Arlindo Chinaglia (SP), agravando a crise política, já abalada pela investida de Cunha para acelerar a votação da reforma política e evitar a proibição da doação de empresas para campanhas, uma bandeira do PT.

fev/2015 – Cunha lê o ato de criação da CPI da Petrobras, mais uma derrota do governo Dilma junto ao Congresso.

mar/2015 – Cunha aparece na lista de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, com políticos citados por delatores da Operação Lava Jato. Ele diz que o governo quer “sócio na lama”.

mar/2015 – Cunha comparece à sessão da CPI da Petrobras e nega ter contas na Suíça, mesmo sem ter sido questionado sobre elas.

jul/2015 Julio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirma que foi pressionado por Cunha a pagar US$ 10 milhões em propinas para que um contrato de navios-sonda da Petrobras fosse viabilizado, dos quais o deputado receberia US$ 5 milhões.

ago/2015 – Cunha é denunciado no STF por corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de receber propinas do esquema investigado pela Lava Jato.

set/2015 – Autoridades suíças enviam a Janot informações sobre suposta conta bancária mantida secretamente por Eduardo Cunhanaquele país europeu. Ele nega possui conta no exterior.

out/2015 – A TV Globo revela fotos de Cunha, da mulher e da filha e assinaturas do deputado nas contas da Suíça.

out/2015 Dilma anuncia uma reforma ministerial que aumenta a participação do PMDB no governo.

nov/2015 – É aberto um processo no Conselho de Ética para afastar Cunha, acusado de mentir à CPI sobre as contas na Suíça. O processo mais longo da história do Conselho de Ética é marcado por bate-boca e até agressões entre deputados.

nov/2015 – Em entrevista exclusiva à TV Globo, Cunha nega ser dono e diz ser apenas ‘usufrutário’ das contas.

dez/2015 – Cunha aceita um dos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Janot pede o afastamento dele.

mar/2016 – O PMDB rompe publicamente com Dilma. Cunha torna-se o primeiro réu da Lava Jato no STF, acusado de exigir e receber ao menos US$ 5 milhões em propina de um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras.

abr/2016 – O nome de Cunha aparece no escândalo dos Panama Papers, que revelou os donos de offshores abertas pela companhia Mossack Fonseca em paraísos fiscais. O Banco Central conclui que as contas na Suíça pertencem a ele.

jul/2016 Cunha recorre da decisão do conselho, e o prazo para a entrega do parecer sobre o pedido se encerra.

jul/2016 – O ex-dirigente da Caixa Fábio Cleto, um dos delatores da Lava Jato, afirma em depoimento que Cunha ficava com 80% da propina em suposto esquema para a liberação de recursos do Fundo de Investimentos do FGTS da Caixa. Cunha nega.

7 de julho de 2016 – Cunha renuncia ao cargo de presidente da Câmara.

ago/2016 – Cunha deixa a residência oficial da presidência da Câmara após renunciar ao cargo.

set/2016 – STF rejeita pedido de Cunha para suspender processo de cassação que tramita na Câmara.

12 de setembro de 2016 –Plenário da Câmara cassa o mandato de Eduardo Cunha.