Ursos permanecem em Canindé; Instituto Luisa Mell contesta

Ursos vivem em local criados para eles desde 2008, quando foram resgatados de circo — Foto: Santuário de São Francisco/Divulgação

A assessoria do Santuário de São Francisco das Chagas, organização religiosa que mantém o Zoológico São Francisco de Canindé (CE), anunciou uma decisão favorável à manutenção dos ursos Dimas e Kátia no município, após a divulgação do parecer elaborado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

Nesta sexta (30), o órgão estadual divulgou o parecer oficial. O documento aponta que o zoológico ainda deve cumprir quatro critérios de análises previstos na Instrução Normativa do Ibama, que trata do acondicionamento de animais do gênero em empreendimentos do tipo jardim zoológico. Segundo Jander Silva, assessor do Santuário, a direção do espaço deve entrar com um pedido de licenciamento a Semace, para regularizar a situação.

Os quatro critérios – de um total de 12 exigidos – são 1) Placa informativa com identificação da espécie e produção geográfica; 4) definição da área do recinto; 7) Ambientação 1; e 11) Nível de Segurança (a vistoria apontou a falta de um “corredor de segurança”).

Jander esclarece que os recintos do zoológico estão de acordo com a Instrução Normativa de 2005, mas a gestão ainda deve atualizá-los conforme as resoluções da legislação mais recente, de 2015.

“Nós tínhamos uma autorização de manejo até agosto. A Semace deu 90 dias pro zoológico apresentar um novo pedido de licenciamento”, destaca a assessoria do Santuário.

Manutenção

Jander Silva esclarece que o Zoológico São Francisco de Canindé não poderia acatar o pedido de transferência dos ursos, mobilizado peloInstituto Luisa Mell (SP), sem o aval do Ibama e da Semace.

“Os ursos não são propriedade do Santuário, são da União. Se o poder público apontasse para tirá-los daqui, tudo bem. Mas não podemos encaminhar a transferência sem essa autorização. Pensa com a gente: se nós liberássemos e eles acabassem morrendo sem se adaptar (ao novo habitat)? Qual seria a nossa responsabilidade nisso?”, questiona Jander.

O assessor destaca que o Santuário de São Francisco das Chagas não tem interesse comercial na manutenção dos ursos. A direção cobra uma taxa simbólica de R$ 3 para a entrada dos visitantes e, ainda segundo a assessoria, “a gente cuida desses animais dentro da espiritualidade franciscana. O zoológico é mantido pelos recursos arrecadados com os romeiros”.

Reação

Neste sábado (1º), a ativista Luisa Mell, autora da denúncia a respeito da falta de condições climáticas para a preservação da saúde dos ursos, reagiu, pelo Instagram, ao resultado da vistoria da Semace, alegando que não foram consideradas as necessidades específicas dos animais e a questão climática ainda foi ignorada.

 

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O urso Dimas teve seus dentes e garras cruelmente arrancados no circo, sofrendo uma dor que não podemos imaginar. A ursa Katia tb sempre foi vítima da ganância humana. Os dois ursos pardos típico de regiões frias, vivem atualmente no interior do Ceará. Dimas apresenta movimentos repetitivos causados pelo estresse, devido ao calor e a exposição ao público. Mesmo movimento que a Marsha apresentava antes do resgate e parou depois que saiu do calor de Teresina, nunca mais fazendo. Mas o laudo da Secretaria de Meio Ambiente do Ceará, feito por um veterinário de cães e gatos que não tem experiencia alguma com ursos, ignorou tudo isso. Não há sequer um exame de saúde dos ursos no laudo, que é superficial, equivocado e não cita o clima, o calor ou a fisiologia dos ursos, nem mesmo o fato de eles serem alimentados com ração de cachorro. Ignorando a biologia, a fisiologia, a doença da Katia e o sofrimento, o laudo afirma que os ursos estão bem. A arquidiocese franciscana, comandada pelo Frei Marconi, que mantém um zoológico IRREGULAR e que cobra ingressos para as pessoas verem os animais, também se opõe a dar um final de vida digno para os ursos, feitos para viver no frio, mas que vivem em temperaturas que passam de 40 graus. Diante de tudo isso, nada nos resta, exceto ir para a justiça, algo que faremos já na semana que vem. Vamos também oficiar a @cnbbnacional e o Vaticano diretamente através do papa @franciscus para que o mesmo tome ciência das condições que os animais se encontram no zoológico da Arquidiocese, totalmente contrárias aos ensinamentos de São Francisco de Assis! O governador @camilosantanaoficial já deve estar sabendo, mas não se pronunciou ainda e esperamos que ele o faça em breve. Enquanto isso, podemos ir escrevendo para o Papa @franciscus para a @cnbbnacional e o Governador @camilosantanaoficial para que tomem ciência dos fatos, visto que não parece mais haver diálogo com a SEMACE, tanto que o @artur.bruno.ce bloqueou seu Instagram para comentários. Uma pena, muito pena que as opiniões equivocadas se oponham a dignidade e ao bem-estar de duas vidas que estão sofrendo, mas não vamos abandoná-las. E a pergunta que fica é: o que há por trás disso?

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Entenda o caso

A ativista Luisa Mell começou uma campanha nas redes sociais no fim de setembro para que os dois ursos-pardos-siberianos, batizados de Dimas e Kátia, fossem transferidos ao Rancho dos Gnomos, uma associação de bem-estar de animais em Cotia, interior de São Paulo. O local abriga espécies de climas frios.

Dimas foi retirados pelo Ibama de um circo após acusações de maus-tratos e está no zoológico desde outubro de 2008. Kátia chegou três anos depois.

O argumento da campanha para levá-los é que o nordeste brasileiro é uma das regiões mais quentes do país e inadequada para esses animais. Luísa conseguiu retirar a ursa  Marsha, agora batizada de Rowena, do Piauí para a associação.

Leia nota do zoológico sobre o pedido de transferência:

 

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ESCLARECIMENTO! #UrsoDimas #UrsaKatia #Canindé #Zoo

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Encontro

A nota também trata do encontro que o Instituto Luísa Mel e o Santuário de Canindé teve na tarde do dia 1º de novembro. Na ocasião, a ativista visitou a cidade e postou um vídeo mostrando o local em que os ursos vivem.

A reunião contou com a presença da própria Luísa Mell e do diretor finaceiro do Instituto Luísa Mell, Marcelo Glauco, e outras pessoas pertencentes a instituição.

Representando a paróquia e o Zoológico, estavam presentes Frei Marconi Lins, reitor do Santuário, Henrique Weber Menezes Viana, veterinário, Renata Lygia, bióloga, e Maria Verbene Mendonça Cunha, coordenadora do Zoológico.

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