Cogumelo mais antigo do mundo é cearense

Gondwanagaricites magnificus é o nome do cogumelo mais antigo já registrado no mundo. O fóssil foi encontrado na Bacia do Araripe DIVULGAÇÃO

O Magnificus incluído no nome do cogumelo mais antigo já registrado no mundo se deu justamente pelo excelente estado de preservação do fóssil encontrado na Bacia do Araripe. Em termos mais gerais, é quase impossível imaginar um corpo de estrutura frágil como um cogumelo suportar de 115 milhões de anos. Descobertas como o Gondwanagaricites magnificus não só lançam importantes discussões científicas como dão luz às descobertas à história da vida na Terra.

 

Com cinco centímetros de altura e de coloração alaranjada, pesquisadores creem que o cogumelo seja da época de Gondwan um supercontinente que juntava América do Sul, África, Madagascar, Índia, Oceania e Antártida. Recentemente repatriado no Brasil, o fóssil se encontra no Herbário da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

“Sobre o cogumelo, ele é o mais antigo e foi encontrado aqui no Araripe, na verdade ele foi encontrado por acaso enquanto pesquisadores revisavam uma coleção nos Estados Unidos, para torná-la digital”, explica o professor Allysson Pontes Pinheiro. Cogumelos estão entre importante grupo de fungos. Os da ordem Agaricales, como a espécie em questão, têm como características a formação de basidiomas muito frágeis, que formam lâminas sob o “chapéu” – pela natureza pouco duradoura, raramente são fossilizados.

 

Conforme ele, a fossilização do fungo só reforça o quão especial é a região. Todas as espécies de cogumelos, somente 10 até agora, foram encontradas em âmbar, preservadas dentro de uma resina, essa é a única espécie do mundo encontrada nos sedimentos como a gente encontra os peixes”, disse. Conforme ele, os próprios pesquisadores se surpreenderam com as condições da fossilização já que o cogumelo é uma espécie com ciclo de vida bastante curto. Todos os fósseis de cogumelos já encontrados variam de meados do Cretáceo até o início do Mioceno.

 

O estudo nortemericano foi publicado em junho do ano passado na revista científica Plos One pelo professor Andrew Miller. Em suas discussões ele afirma que a descoberta confirma a existência da espécie no período cretáceo e estabelece o primeiro ponto de calibração até agora para o Agaricales, com uma nova idade mínima de 113-120 milhões de anos atrás. O que certamente marca nova fase nas pesquisas da diversificação biológica das plantas do meio aquático para o meio terrestre. Após estudos, o pesquisador reconheceu a importância da presença do fóssil no Brasil, país de origem do fóssil.

 

Conforme publicação na página do Herbário Virtual da UFPE, o nome do gênero é uma combinação do supercontinente Gondwana, com a palavra grega Agaricon (= cogumelo) e o sufixo ites, que representa um fóssil. “O nome do epíteto específico vem do Latim magnificus, em razão da excelente condição de preservação em que o fóssil se encontra”.