PF apreende papéis com menção a Temer

Presidente da República é um dos alvos de um dos inquéritos que embasou a deflagração da Operação Skala na última quinta-feira (29). Nomes próximos ao peemedebista, como o coronel Lima estão entre os que foram presos ( Foto: AFP )

Santos/Brasília. A Polícia Federal (PF) apreendeu, na sede da Rodrimar, folhas de papel com citação ao presidente Michel Temer (PMDB) e à empresa Argeplan, controlada pelo coronel da PM José Baptista Lima Filho o coronel Lima, amigo do peemedebista. A Rodrimar foi alvo de buscas da Operação Skala, deflagrada na quinta-feira (29), por ordem do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O dono da empresa, Antonio Celso Grecco, foi um dos presos.

Ele disse à PF que, num encontro em Brasília, Temer prometeu ajudar a empresa a resolver uma pendência no Porto de Santos quando ainda era vice-presidente. A Rodrimar havia vendido um espaço no complexo portuário à Eldorado Celulose, do grupo J&F, mas o governo federal barrara a transferência de mais duas áreas contíguas para a empresa dos irmãos Batista.

Além disso, a obra iniciada pela Eldorado estava atrasada e havia sido embargada pela Codesp (Companhia Docas de São Paulo), estatal que administra o porto. Grecco disse que, diante disso, esteve em Brasília com “pessoas da Eldorado e tratou diretamente com a Vice-Presidência”, sendo que “foi apresentar o projeto de adensamento (integração das três áreas) para a construção” de um terminal de celulose da Eldorado. “A resposta do presidente foi simplesmente: vou ver o que vou fazer”, contou Grecco no depoimento.

Grecco foi o primeiro dos presos na Operação Skala a apresentar um pedido de habeas corpus ao STF contra a decisão que o levou à prisão temporária. A relatora sorteada foi a ministra Rosa Weber, que rejeitou o pedido.

Diante dos novos fatos, a procuradora-Geral da República avalia pedir novos depoimentos, inclusive do presidente Michel Temer. Ele já prestou depoimento, por escrito, em janeiro, por determinação de Barroso, a pedido de Raquel Dodge.

Skala

A Skala investiga supostos benefícios à empresa Rodrimar na edição do decreto voltado ao setor portuário. A operação prendeu 13 pessoas e fez buscas e apreensões em 20 endereços.

Outras quatro pessoas foram intimadas a depor.

O presidente Michel Temer é um dos alvos do inquérito. A equipe SP-13, da PF, chefiada pelo delegado Fábio Seiji Tamura cumpriu o mandado número 15 do ministro Barroso.

A SP-13 descreveu em relatório anexado aos autos o material apreendido na Rodrimar. O item número 7 se refere à Argeplan.

“Uma folha de papel contendo relação de empresas, entre elas, Argeplan Arquitetura e Engenharia LTDA (encontrado no quarto andar – setor jurídico)”, relatou a PF. O nome do presidente é citado no item 20.

Coronel Lima é um nome emblemático da Operação Skala, muito ligado a Temer desde os anos 1980 e 1990, quando o presidente exerceu o cargo de secretário da Segurança Pública de São Paulo.

Ao autorizar a Skala, o ministro Barroso registrou que, para a Polícia Federal, a empresa Argeplan “tem se capitalizado” com recursos de empresas interessadas na edição do Decreto dos Portos e distribuído tais recursos para os demais investigados.

Barroso citou que a PF chegou a essa constatação na análise dos documentos colhidos tanto no Inquérito dos Portos, do qual é relator, quanto nos autos de um inquérito que já tramitou no Supremo sobre o setor portuário e hoje se encontra arquivado; Temer foi investigado nesse caso.

Para a PF, segundo Barroso, a análise conjunta dessas duas investigações “permite concluir que a Argeplan, agora oficialmente com o Investigado João Batista Lima Filho como sócio, tem se capitalizado por meio do recebimento recursos provenientes de outras empresas – as interessadas na denominado Decreto dos Portos -, e distribuído tais recursos para os investigados”.

Na sexta (30), a Polícia Federal adiou o depoimento do coronel João Baptista Lima Filho. A defesa do coronel alegou que ele “no momento, não está em condições de prestar depoimento”.

Diário do Nordeste